Posted on domingo, 7 de fevereiro de 2010
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FUNDADOR: FRANK DUFF
UM HOMEM FORA DE SÉRIE
"O grande ausente" chegou e tomou seu lugar, naquele setembro de 1965, entre os delegados e observadores do Concílio Vaticano II, realizado na Basílica de São Pedro, em Roma. Ele espera dois anos por esse momento. Ao notar sua presença, o Cardeal Heenan, da Grã-Bretanha, interrompeu seu discurso para comunicar aos dois mil, e quinhentos patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos, abades e superiores de ordens religiosas na Quarta Sessão, que Frank Duff, o gênio dirigente da Legião de Maria, se tornara, finalmente, um participante do Concílio.
O Cardeal Leo Suenens, da Bélgica, relembrava que os delegados do Concílio Cumprimentaram Duff "com uma calorosa e emocionante ovação. Foi um momento inesquecível". Muitos delegados haviam questionado por que Duff, líder de um dos maiores e mais efetivos movimentos leigos da Igreja, não fora convidado, junto com outros observadores leigos, em 1963.
O modesto Duff, tranqüilamente sentado em seu lugar, aceitou a honra que os delegados lhe concederam, não para si, mas para os milhares de apóstolos leigos que ele representava. O aplauso foi duramente conquistado - bem como cada êxito que havia experimentado.
Frank Duff nasceu em Dublin, no dia 07 de junho de 1889, freqüentou a Escola Belvedere dos Jesuítas e depois o Colégio BlackrocK dos Padres do Espírito Santo.
Frank possuía misteriosa habilidade de se comunicar com o povo humilde do mundo. Filósofo, teólogo, estudioso da Bíblia, possuindo farto conhecimento de medicina, ciência e matemática, ele era, acima e além de tudo, um comunicador. Expressava as idéias mais abstratas em linguagem simples. O seu Manual da Legião de Maria, já traduzido em mais de setenta línguas, apresenta profundos fundamentos teológicos da Legião, em palavras que as pessoas mais simples podem entender.
Passados três meses do primeiro encontro da Legião de Maria em 1921, Frank Duff avisou ao grupo pioneiro que, um dia, seu movimento englobaria o mundo inteiro. "As senhoras achavam isto tão inverossímil", Frank relembrava sessenta anos depois, "que elas passaram quase cinco minutos em uma estrondosa gargalhada". As senhoras não contavam com a perseverança determinação de Frank Duff, o alcance de sua visão, nem com sua fé inabalável nos destinos da Legião. Retrocedendo dois mil anos, ele transportou, para sua Legião de Maria, a estrutura da organização do exército romano.
Olhando para o futuro, Frank via a Legião como o exército de Maria, dedicado a arrebanhar homens e mulheres, jovens e crianças para Cristo, o Rei.
Embora visionário, tinha pouca paciência para grandes esquemas. Era o mestre da ação concreta, das metas atingíveis. A Legião, firmemente acreditava, conquistaria o mundo passo a passo.
Frank Duff, convencido de que a Legião serviria à Igreja, no que ele denominava "a terrível batalha do século XXI", usava cada oportunidade para se encontrar e falar com o povo. Nos seus últimos anos, era amplamente respeitado como líder leigo.
A essência dos sonhos e ações de Frank Duff foi sua devoção a Maria, Mãe de Deus. Pouco antes de sua morte, em 1980, dissera: "Desde o primeiro momento, a Legião esteve nas mãos de Maria. Minha partida não vai alterar nada".
Frank Duff - "Obrigado pelo seu companheirismo".
                                   FRANK DUFF 
"O grande ausente" chegou e tomou seu lugar, naquele setembro de 1965, entre os delegados e observadores do Concílio Vaticano II, realizado na Basílica de São Pedro, em Roma. Ele espera dois anos por esse momento. Ao notar sua presença, o Cardeal Heenan, da Grã-Bretanha, interrompeu seu discurso para comunicar aos dois mil, e quinhentos patriarcas, cardeais, arcebispos, bispos, abades e superiores de ordens religiosas na Quarta Sessão, que Frank Duff, o gênio dirigente da Legião de Maria, se tornara, finalmente, um participante do Concílio.
O Cardeal Leo Suenens, da Bélgica, relembrava que os delegados do Concílio Cumprimentaram Duff "com uma calorosa e emocionante ovação. Foi um momento inesquecível". Muitos delegados haviam questionado por que Duff, líder de um dos maiores e mais efetivos movimentos leigos da Igreja, não fora convidado, junto com outros observadores leigos, em 1963.
O modesto Duff, tranqüilamente sentado em seu lugar, aceitou a honra que os delegados lhe concederam, não para si, mas para os milhares de apóstolos leigos que ele representava. O aplauso foi duramente conquistado - bem como cada êxito que havia experimentado.
Frank Duff nasceu em Dublin, no dia 07 de junho de 1889, freqüentou a Escola Belvedere dos Jesuítas e depois o Colégio BlackrocK dos Padres do Espírito Santo.
Frank possuía misteriosa habilidade de se comunicar com o povo humilde do mundo. Filósofo, teólogo, estudioso da Bíblia, possuindo farto conhecimento de medicina, ciência e matemática, ele era, acima e além de tudo, um comunicador. Expressava as idéias mais abstratas em linguagem simples. O seu Manual da Legião de Maria, já traduzido em mais de setenta línguas, apresenta profundos fundamentos teológicos da Legião, em palavras que as pessoas mais simples podem entender.
Passados três meses do primeiro encontro da Legião de Maria em 1921, Frank Duff avisou ao grupo pioneiro que, um dia, seu movimento englobaria o mundo inteiro. "As senhoras achavam isto tão inverossímil", Frank relembrava sessenta anos depois, "que elas passaram quase cinco minutos em uma estrondosa gargalhada". As senhoras não contavam com a perseverança determinação de Frank Duff, o alcance de sua visão, nem com sua fé inabalável nos destinos da Legião. Retrocedendo dois mil anos, ele transportou, para sua Legião de Maria, a estrutura da organização do exército romano.
Olhando para o futuro, Frank via a Legião como o exército de Maria, dedicado a arrebanhar homens e mulheres, jovens e crianças para Cristo, o Rei.
Embora visionário, tinha pouca paciência para grandes esquemas. Era o mestre da ação concreta, das metas atingíveis. A Legião, firmemente acreditava, conquistaria o mundo passo a passo.
Frank Duff, convencido de que a Legião serviria à Igreja, no que ele denominava "a terrível batalha do século XXI", usava cada oportunidade para se encontrar e falar com o povo. Nos seus últimos anos, era amplamente respeitado como líder leigo.
A essência dos sonhos e ações de Frank Duff foi sua devoção a Maria, Mãe de Deus. Pouco antes de sua morte, em 1980, dissera: "Desde o primeiro momento, a Legião esteve nas mãos de Maria. Minha partida não vai alterar nada".
Frank Duff - "Obrigado pelo seu companheirismo".
Em 1979, pouco antes do falecimento, fizeram várias sessões de entrevistas com Frank Duff.

O livro Um pioneiro do apostolado laical, no capítulo 31, descreve as circunstâncias das Oitos Entrevistas com o Fundador.

É fácil perceber como é precioso e importante para os que se dedicam à Legião de Maria.

Esperamos que se consiga editar esse material para os Legionários de língua portuguesa..


"O Vaticano II representa um ato de fé na Legião de Maria"

Entrevista com o Fundador

Vivo e ágil, ainda com fulgor nos olhos, caminhou para o estúdio de televisão improvisado no segundo andar da CASA DE SANT'ANNA, situada na rua "North Runswick, entre a Regina Coeli e a sua residência. Tirou o casaco, deixando a descoberto a blusa de azul pálido que usava por baixo, sentou-se sob as intensas luzes de quartzo e esperou pacientemente o pessoal de serviço da televisão verificasse o som e o "vídeo". Como concessão à debilidade do seu ouvido, aceitou, com relutância, um pequeno maço de fichas numeradas com as perguntas que lhe seriam dirigidas por AL NORREAL, durante a entrevista.

Ao longo de cinqüenta minutos, Frank Duff respondeu, por vezes, vincando as respostas com humor e risos. Quando tudo acabou, riu e entregou as fichas a Al Norrell, sem as ter usado uma só vez.

Esta entrevista é uma das oito com Frank Duff, fundador de Legião de Maria, realizadas em agosto de 1979, por um grupo de Legionários do Senatus da Filadélfia (Mon. Moss, Walt Brown, All Norrell, Bill Peffey e Beatrice Flanningan). Nesta entrevista, Frank Duff responde a perguntas sobre a sua família, e a sua formação pessoal e a organização por ele fundada, em 1921.

AL NORRELL - Tenho hoje, a grata incumbência de lhes apresentar o Sr. Frank Duf e de o entrevistar para o nosso programa. O Sr. Duff é um dos membros fundadores da Legião de Maria, organização de nível mundial, que soma atualmente, um milhão e meio de Membros Ativos e mais de dez milhões de Membros Auxiliares.
Sr. Duff, onde nasceu?

FRANK DUFF - Nasci nesta cidade, num lugar situado a um quilômetro e meio, ao norte.

A.N. - Sim, e em que ano?

F. DUFF - Em 1889 (Mil oitocentos e oitenta e nove).

A.N. - Portanto, está agora com noventa anos!

F. DUFF - é verdade, segundo as leis aritméticas. (Risos ...).

A.N. - E onde nasceram seu pai e sua mãe?

F. DUFF - Nasceram na vila de Trim, distrito de Meath, lugar muito conhecido na história da antiga Irlanda, a quarenta e quatro quilômetros daqui.

A.N. - E qual era o seu trabalho?

F. DUFF - Meu pai e minha mãe eram funcionários do Estado. Minha mãe distinguiu-se no exame de admissão do antigo funcionalismo britânico e irlandês, pela primeira vez franqueado e mulheres.

A.N. - Muito bem.

F. DUFF - Foi nomeada para servir em Londres, onde ficou alguns anos, regressando quando o sistema se estendeu à Irlanda. Era, pois, normal na família, ser-se funcionário público. Chegando o momento, também eu o fui.

A.N. - Bem. E quantos irmãos e irmãs teve?

F. DUFF - Ao todo, houve do casal sete filhos. Duas moças morreram jovens. Ficamos, então, cinco, três moças, meu irmão e eu.

A.N. - Vive ainda algum deles?

F. DUFF - Não, sou o único sobrevivente. É uma das angustias da minha vida. Quando quero voltar ao passado, que tanto desejaria conhecer, não sei a quem recorrer.

A.N. - Compreendo. Que me diz de sua formação intelectual? Onde estudou? Aqui na Irlanda?

F. DUFF - Depois de passar pelas escolas elementares "Dames Schools", estive dois anos no Colégio Belvedere, dirigido pelos Jesuítas. Como mudei de residência, fui para o colégio de Blackrock, onde completei os estudos.
A.N. - E então, como disse, se tornou funcionário.

F. DUFF - Exatamente, tornei-me funcionário do Estado.

A.N. - Em 1921, foi fundada a LEGIÃO DE MARIA. Depois da fundação, até que ano continuou a ser funcionário do Estado?

F. DUFF - Até mil novecentes e trinta e três (1993). Deixei, então, o funcionalismo, pois há muito notara que as duas coisas eram incompatíveis.


Cheguei mesmo a pensar quea tensão ia me matando, aos poucos. Mas, tudo acabou, quando renunciei àquela função, coisa, aliás, de que não me arrependi. (Risos ...).


A.N. - E deste esse momento, o Sr. deu todo o seu tempo à Legião?

F. DUFF - De fato.

A.N. - Gostaria, agora, de lhe perguntar alguma coisa da organização de que todos somos membros. A Legião tem, presentemente, quase sessenta anos e está em todos os países do mundo.
F. DUFF - Em quase todos...

A.N. - Em quase todos os países do mundo!

F. DUFF - Alguns dos países, chamados da "Cortina de Ferro", ainda não a têm. Esperamos que esta situação seja remediada, em breve.

A.N. - Bem. A Legião atual é a mesma que o senhor imaginou, no começo É ela aquilo que o senhor esperava?

F. DUFF - Bem, é uma pergunta difícil, pois supõe uma certa capacidade de previsão que eu não tenho. (Risos...). É como se perguntássemos a uma mãe, se seu filho, pequeno ainda, se tornaria um grande homem. É bem, verdade que, desde muito cedo, achei que lidávamos com algo fora do comum. Há dias, alguns dos senhores, falando comigo sobre o assunto, acharam que "isso" deve ter-se dado na segunda reunião da Legião! Ora, não é verdade. Mas ocorreu nos três primeiros meses de sua existência, quando lhes disse que estavam destinados a abarcar o mundo inteiro. Agora, o senhor me perguntará em que me fundamentava. Pois bem, eu me baseava no espírito extraordinariamente evidente do que estava em marcha. Eu estava acostumado a boas organizações. Estava mesmo inserido em coisas que me pareciam muito boas. E, no entanto, dizia comigo: "Isto é excepcional! Pessoas simples revelando um grau de coragem sem limite. Foi, baseado nessa idéia, que me aventurei a predizer-lhes que haveriam de abarcar o mundo inteiro. Acharam isto tão engraçado que passaram quase cinco minutos a rir ruidosamente. Tal foi o respeito com que acolheram a minha profecia. (Risos...).

A.N. - Não podiam compreender. Não podiam prever o que aconteceria...

F. DUFF - Aceitaram as coisas pois não tinham termo de comparação...

A.N. - Sim, claro.

F. DUFF - Veja. Para eles tratava-se de qualquer coisa normal, corrente...

A.N. - Bem. Talvez possamos falar da qualidade dos Membros de hoje. Nos começos, os Membros visitavam "Bentley Place", alguns com medo de perder a vida. Pensa que os Membros de hoje têm o mesmo calibre?

F. DUFF - Certamente. Não se discute! Sob esse aspecto, as exigências são mais elevadas. Os primeiros Membros aceitavam os trabalhos que lhes dávamos, como coisa natural e iriam, a "Bentley Place" ou a qualquer outro lugar difícil, como um dever. Hoje se dá o mesmo.

A.N. - Será?

F. DUFF - Sim. Verificamos, por exemplo, que em algumas "P.P.C", (Peregrinação Por Cristo), seguem para países que, à primeira vista, constituem perigosa aventura e, no entanto, fazem-no como se fosse coisa natural. Num pequeno grupo, como era o nosso, no começo, poderia significar muito pouco, mas torna-se impressionante, quando em larga escala, como presentemente.

A.N. - Então, o senhor está impressionado como a têmpera dos Membros de hoje!

F. DUFF - Oh" A têmpera dos Membros de hoje não tem limites. Explico-me. Há, com certeza, um limite artificial que lhes é imposto, mas que habitualmente vem de fora. Há membros que estão dispostos a fazer tudo o que lhes é proposto; mas, por razões diversas, nunca se lhes propõem, com freqüência, missões tão elevadas.

A.N. - Exatamente!

F.DUFF - Houve recentemente um caso bem típico. Um grupo de Membros quis lançar-se numa "Peregrinatio", especialmente difícil. Procuram-nos e propõem-nos o projeto. Ficamos espantados! Ora, o plano vinha de Membros comuns que sabiam muito bem em que se meteriam, pois conheciam todas as dificuldades e, no entanto, estavam dispostos a partir. Gostaria de relatar, aqui, com mais promenores, esse episódio, não notável é; mas acho preferível não lhe dar publicidade. Direi apenas que se tratava de coisas tão extraordinária que os levaria à morte.
A.N. - Hein?

F. DUFF - Sim, muito provavelmente. E foi de nós que partiu a oposição. Não os deixamos seguir.

A.N. - Compreendo. Os senhores impediram-nos. O Senhor sabe que ouvimos muitas coisas de "verdadeiros Legionários". Gostaria de que nos desse a definição de verdadeiro Legionário.

F. DUFF - Verdadeiro Legionário é aquele que compreende os regulamentos e lhes obedece. (Risos...).

A.N. - Mas é uma definição muito simples. (Risos...).

F. DUFF - Concorda?

A.N. - Concordo, vindo do senhor. Mas não poderia dizer-nos algo mais?

F. DUFF - Talvez possa acrescenter uma nova exigência. Temos que nos certificar de que essa pessoa persevera na Legião. Por isso, temos que acrescentar a condição de que tal pessoa tenha sido um bom Legionário e que tenha aguentado a corrida.

A.N. - Muito bem! Vamos fazer-lhe um pergunta um pouco difícil. A Legião o desiludiu, alguma vez?

F. DUFF - O Senhor considera isso um pergunta difícil, daquelas que os Americanos costumam dizer que vale 64 dólares. (Risos...). Com a inflação dos tempos que correm tem que valer mais!

Se quer saber se estive, sempre, de acordo com a Legião, em todos os momentos, terei que dizer que não! Houve numerosos acontecimentos e sempre os haverá, que me aterraram; em que foi tomada uma decisão que julguei errada. Mas, o tempo seguiu seu curso e, cheguei à conclusão de que talvez, a Legião tivesse razão. É assim que devemos deixar ficarem as coisas. (Risos...).

A.N. - Muito bem! O Senhor está, agora, com noveta anos! Vivemos num tempo em que os bispos se aposentam aos setenta e cinco e se fala muito em renovação e de coisas semelhantes. Como o senhor justifica a sua participação continuada e ativa, na Legião?

F. DUFF - Não entendo bem a pergunta. Será que devo sair da Legião? (Risos...). A que devo eu renunciar? Ao dever que a Igreja solenemente me impôs? Devo pôr, de lado, um Cristianismo ativo? Que forma de aposentadoria deve ser a minha? Será que me devo retirar completamente, deixar de ser Membro da Legião? Evidentemente, não é isso o que quer dizer.

A.N. - Não, absolutamente.

F. DUFF  O que quer dizer, suponho eu, é que, aos setenta e cinco anos, se julga uma pessoa já perdeu um pouco de sua lucidez de espírito e capacidade de agir.

A.N. - Bem, isso no seu caso, não é verdade.

F. DUFF - Bem, mas poderia ser! O senhor vê que estou supondo que é melhor entregar as responsabilidades a gente mais jovem. Mas que responsabilidades devo entregar? Não sou o Presidente da Legião. Se não tenho nenhum alto cargo, o que devo renunciar? (Risos...).

A.N. - Considerando que os bispos se retiram aos setenta e cinco, queríamos mostrar que o senhor já passou dessa idade. Mas, dada a sabedoria e a força que comunica à Organização, não deve pensar em retirar-se?

F. DUFF - Bem. Se tenho alguma sabedoria ou alguma força, elas estão ao dispor da Legião. Não tenho a autoridade suprema da Legião. Aliás, a Legião sempre encarou, desde o começo, esta situação aos setenta e cinco anos. Porque, ao contrário, da associação que, em certa medida, lhe serviu de modelo, a Legião impôs restrições à duração dos cargos dos dirigentes, inclusive do Presidente do Concilium. Tem que receber a renovação do mandato, a cada três anos e, após um segundo triênio, ou seja, seis anos  ao todo, tem de deixar o cargo: não necessariamente para sempre, pois ao fim de outros três anos, pode ser reeleito para o mesmo cargo. E a nova eleição pressupõe que ele mantenha as suas faculdades.
A.N. - Entendo. Agora, o senhor é ...

F. DUFF - Deixei a presidência, há um bom número de anos. Vi ..., aproveitei a primeira oportunidade que me foi oferecida para deixar ..., para recusar a renovação do mandato do meu cargo e passar a nível menos exigente.

A.N. - O senhor, agora, é Conselheiro. Pode dizer-nos qual é a função de Conselheiro e como a exerce?

F. DUFF - Bem, é ... para deixar campo aberto à nova geração, em nossas fileiras. Criamos a categoria de Conselheiro, para todos aqueles que hajam sido excelentes dirigentes e tenham desempenhado ora um, ora outro cargo. Seria retirá-los de tudo, colocando-os na categoria de aposentadoria, (risos ...), ficando os cargos para os talentos que vão despontando.

A.N. - Entendido.

F. DUFF - Como o senhor vê, este é um problema real, em toda a parte. Se deixamos as pessoas voltarem a ocupar indefinidamente os altos cargos, depois de um período fora dos mesmos, acabamos por manter as mesmas pessoas, nos mesmos cargos, demasiado tempo. E se apresentará  a situação dos setenta e cinco. O cargo de Conselheiro evita tal coisa. Quando uma pessoa se mantém nos cargos bastante tempo, entendemos que é tempo de resolver esta situação, sem a colocar de lado, visto que a categoria do Conselheiro preserve a sua experiência, embora deixando o cargo que ocupava, o cargo de maior responsabilidade aberto a outra pessoa. E, na Legião, há sempre alguém capaz de ocupar tais lugares. Este problema pode surgir a qualquer momento.

A.N. - Então, os Conselheiros estão aí, para nos ajudar, com sua experiência.

F. DUFF - Na Legião, há sempre alguém capaz de ocupar-nos os lugares, aproveitamos-lhe a experiência e damos oportunidade a outros. Na Áustria, elegeu-se um jovem de 21 anos, para Presidente do Senatus. Logo que nos escreveu, disse: "Penso que sou mais jovem de todos os Presidentes de Senatus". E era.

A.N. - Vinte e um anos! É maravilhoso! Ao considerar a nossa organização, perguntamos: que medidas o Sr. tomou, para proteger seus ideiais, quando tiver partido? Pensa que a Legião continuará a ser o que é, depois de nos deixar?

F. DUFF - Bem, é uma situação peculiar. Mas, para responder à sua pergunta, teremos que subir aos domínios da fé e da devoção. "A Legião, desde o primeiro momento, esteve nas mãos da Santíssima Virgem. Meu afastamento de cena não vai arrancá-la de Suas mãos". Temos que ter fé, para admitir que a Sua proteção continuará, talvez maior ainda, considerando que a Legião se torna, cada vez mais um elemento vital para a Igreja.

Bem, há sessenta anos, eu não previa nada do que aconteceu à Legião. Eu sabia, apenas, que, pela ação, se tornaria o braço direito da Igreja Católica. E isso é essencial! E reconhecido, sem reservas. Em nossa recente visita a ROMA, tivemos prova absoluta. Todos as pessoas, com os quais tratamos, a mais elevada à frente, estavam certas do que disse e procuravam demonstrá-lo, aconlhendo-nos de forma excepcional.

E, apesar disso, é triste verificar-se quantas pessoas importantes no mundo, ainda não se interessaram pela Legião. Agem contra o verdadeiro bem da Igreja Católica. A meu ver, a Legião só agora chegou à maioridade. Até então, pode-se dizer, esteve no berço. Presentemente, é soldado crescido e armado, pronto para a tremenda luta em que nos envolveremos, no século que vem.

A.N. - É assim que a vê, prosseguindo em sua marcha para grandes coisas?

F. DUFF - Bem, é assim que eu penso. Outros poderão discordar. Dizem que, no Concílio, muitos Bispos quiseram mencionar, em um dos seus decretos, a Legião de Maria. O fato foi examinado e posto de parte. Houve razões válidas; primeiro, porque provocaria certo ciúme contra a Legião, o que não a beneficiaria. Segundo, acreditando nos desígnos da Providência, a Legião desapareceria dentro de dez anos e, a mesma Providência suscitaria uma organização melhor. Dessa maneira, constaria uma organização desaparecida. O bom senso presidiu a tudo.


A.N. - Acerca dos trabalhos da Legião de Maria: hoje, avaliam-se as organizações laicais pelo trabalho que oferecem à Igreja. No Manual, vemos que o trabalho é secundário. Pode justificar isso? O trabalho é de importância secundária?

F. DUFF - Sim. Essa é a mais importante verdade da Legião, porque é algo que está muito acima da natureza do trabalho, o seu espírito, a fé da Legião. Por que nos aplicamos a trabalhos de envergadura, se não temos elementos para tal? Esta, a grande falha do mundo de hoje.

Quando analisamos certos programas extraordinários, não encontramos nada. Enchem-se folhas e folhas de projetos ambiciosos e não se avança uma polegada, na sua realização. Planos no papel. Todos fazem planos, no papel. Para execução desses planos, seria preciso um exército. Mas não têm esse exército... É fantástico! Que desperdício de papel!

Quando se prepara uma obra, por mais simples que seja, temos que ver, primeiro, se dispomos de material humano com capacidade  para tal empreendimento, e se vai perservar.


A.N. - Bem, eu sempre pensei, ao falar do trabalho com secundário, que o desenvolvimento espiritual do indivíduo ocupava o primeiro lugar. É esse o seu pensamento?


F. DUFF - Sim. A primeira coisa é a criação do instrumento. Se queremos serrar madeira, temos que ter uma serra e esta deve ter determinadas qualidades. Está aí a simplicidade de nosso sistema. Quando falo do espírito da Legião, da sua fé, tenho que lhe perguntar: "Que entende o Sr. por espírito? E por fé? Uma fé simples, pouco desenvolvida, que crê que Deus é poderoso e está talvez do nosso lado... e nada mais?" Claro que não.

Temos que inserir, no assunto, o que poderíamos chamar de consideração teológicas. A fé tem que ser completa. tem que ser uma fé católica. Tem que crer nas doutrinas da Igreja Católica. Tem que crer em algo que anda muito descurado, ou seja, na Santíssima Virgem! Se alguém quisesse... se alguém nos disesse: "Vamos pô-los em todas as paróquias do mundo. Dar-lher-emos todas as oportunidades para execução de grandes trabalhos. Imporemos, apenas, uma condição: ponham de lado todos esses disparates sobre a Santíssima Virgem e tenham uma posição mais sensata. Por outras palavras, ponham-Na de lado." Pois bem, nossa resposta seria um não!


A.N. - Como vê a Legião no futuro? Acredita que continuará com sua vitalidade atual no século XXI?


F. DUFF - Essa é mais uma pergunta de "64 dólares"; falar do futuro é tarefa do alcance duvidoso, pois podem ser, apenas, conjecturas. Eu diria que, se deixarem a Legião como está, atualmente, ele conserverá sua vitalidade e seu nível de êxito, melhorando-os ainda sensivelmente. Entretanto, temos que considerar a História, que conheço um pouco. Ora, a História ensina que não se está seguro de nada, por mais sólido que pareça. Se olharmos para trás, vemos surgir grandes movimentos, coisas extraordinárias! Ao fim de algum tempo, tudo desapareceu de cena. O falecido Dr. Downey, Arcebispo de Liverpool, depois de uma reflexão dizia: "Toda a organização laical deve ser suprimida no qüinquagésimo aniversário. pois, como os homens, envelheceu". Nem sequer deixava que atingisse 75 anos. (Risos...). Dir-se-ia que o Senhor concede a uma instituição extraordinários resultados e, a seguir, a apaga do mapa, por melhor que tenha sido. Tennyson diz que Deus se renova a Si mesmo, de muitas maneiras, com receio de que um bom costume perverta o mundo. Ele cria e, talvez, muito do que cria, exista para sempre, pela radiação do Seu espírito, isto é, enquanto existiu, modelou os espíritos, tornando-se, desta forma, uma realidade permanente na Igreja. Como entidade visível, porém deixou de existir.


Quando lançamos um olhar sobre o mundo, vemos situações muito preocupantes. Pessoas há que desejam, apaixonadamente, apoderar-se da Legião, para modificá-la, de acordo com suas idéias. Se, uma tal mentalidade viesse a prevalecer e a Legião fosse alterada, posso dizer-lhes, seria a morte da Legião de Maria! É doloroso e aterrador pensar nisso. Seria preciso, então, dizer: "Bem, Deus está no Céu. Ele permitiu que tal acontecesse. Portanto. Ele vai providenciar".

Vejamos a Revolução Francesa. A reforma protestante varreu metade do mundo católico de então e, como disse Lord MacCauley, nada dela regressou jamais. Desde então, grandes comunidades deixaram a Igreja e regressaram a ela, mas ninguém, nenhuma comunidade deixaram a Igreja e regressaram a ela, mas ninguém, nenhuma comunidade que a abandonou, no tempo da reforma, regressou. São coisas que nos levam a refletir seriamente. Há, por aí, nações inteiras que vivem uma forma truncada de fé e não somos capazes de as fazer regressar. Morrem e desaparecem.


Como vê, temos que ser cautelosos, quando procuramos perscrutar o futuro. A Legião também poderá ser destruída. Bastará que se perverta a forma particular como encara. Nossa Senhora. É como se um proverbial parafuso soltasse fora do lugar e toda a máquina gigante fosse paralisada.


A.N. - Bem. Talvez eu tenha insistido demasiadamente na previsão do futuro... Seria melhor que, após sessenta anos de Legião, nos contasse coisas que aconteceram. As realizações da Legião, nesse período.


F. DUFF - São tão numerosas que me é impossível enumerá-las. Sou levado a pensar que o maior acontecimento se passou nas Filipinas, país que todos pensavam se afastara tanto da Igreja, que seria impossível uma recuperação. O célebre D. E. J. McCarthy, enviado pelos Revmo. Pes. Columbanos, informou seus superiores de que era necessário recomeçar a evangelização ali, pois as ilhas tinham ido longe demais, para se conseguir uma recuperação rápida. Era uma inteligência e nem se atreveu a fundar a Legião, embora lhe aconselhássemos a tarefa.

Na Universidade de S. Tomás, onde era Assistente Eclesiástico, não havia, a seu ver, um único candidato idôneo, para a Legião. Foi, então, que entrou em cena o Revmo. Pe. Garcia, um Vicentino espanhol. Em quinze dias, fundou dois Praesidia. Ao final de um ano, havia catorze. Durante a ocupação japonesa que se lhe seguiu, o número atingiu a cem. Atualmente, há, aproximadamente, uns dez mil Praesidia e as Filipinas são, de novo, um país católico.

Ali não havia sacerdotes, mas logo pôde abrir um Seminário, para formar Missionários destinados ao estrangeiro. As vocações entre os homens e as mulheres são numerosíssimas. Estão preparando, agora, um exército pacífico de apóstolos para penetrar em toda a Ásia. Tudo isto me leva a crer que é a maior realização alcançada. Mas, devo dizer-lhe que, em outros lugares, se passa o mesmo.

Na Islândia, aconteceu algo maravilhoso, quase "impossível": Quinze pessoas estão a ser religiosamente instruídas. Toda a atmosfera da ilha está impregnada de catolicismo. O que se conseguiu, na China, foi verdadeiramente prodigio.

Provavelmente, o Sr. entrevistará o Revmo. Pe. MacGrath. A Legião foi ali fundada, pouco tempo antes da vitória dos comunistas. Seu poder de irradiação foi tal parecia um alude. Essa figura extraordinária, S. Exa. Revma. o Sr. Arcebispo Riberi informou o Papa de que a situação, na China, era de intenso otimismo, pois estávamos perto de uma conversão em massa. O grande problema era o da instrução religiosa. Não faltavam convertidos. O difícil era a catequese. Como disse esse homem extraordinário: "A nota dominante deve ser o otimismo".

Sobrevejo, então, um desses invulgares reveses que Deus permite; e tudo desaparece. A Legião é perseguida até a morte e extermínio e todas aquelas brilhantes perspectivas são aniquiladas. O Sr. não pode compreender, mas há coisas importantes, atividades da Legião que afetam países inteiros. Em nossas modalidades de ação, há novos trabalhos introduzidos pela Legião.

Ele mostrou que qualquer leigo, mesmo o mais simples, é capaz de ser apóstolo. Antes, ninguém sonhara com isto. Eu diria até que o Vaticano II representa um ato de fé na Legião. Ali se legislou sobre mobilização do Povo de Deus. Pois bem, sem a Legião, é um projeto inútil. Não se mobiliza o Povo de Deus para o apostolado, levando um grupo de pessoas tratados sobre qualquer coisa. Isso não é mobilização do Povo de Deus!

Temos que captar todas as pessoas até as mais simples e incultas. Aí está o grande êxito da Legião de Maria: a mobilização daquelas pessoas que o mundo considera incapazes para o apostolado. Elas aí estão, em nossas fileiras. E, nós não nos gloriamos das princesas e de outras pessoas notáveis que também são das grande fileiras, mas dessas pessoas humildes do mundo. Elas são a nosa principal riqueza. O Papa Paulo VI disse: "Aquilo de que gosto mais, na Legião de maria, é que ele sabe utilizar as pessoas de humilde condição social".

A.N. - Muito bem! Gostaria, entretanto, de lhe fazer, por hoje, uma última pergunta. Que me diz da Legião, como fazedora de Santos?
F. DUFF - Como quê ... ? Como forja de Santos? Uma pergunta que se justifica. A Legião ensina a Legionários e dá-lhes capacidade de compreenderem as grandes verdades de fé católica, tais como a doutrina do Corpo Místico que, segundo S. Tomás de Aquino, é a doutrina central da Igreja; a maternidade de Maria e o extraordinário ascendente de Nossa Senhora sobre o Espírito Santo.

Temos de lançar mão de uma expressão tão extraordinária, como esta, para denotar a verdade. A Legião ensina estas coisas, santas e santificantes, a todos os seus Membros. Estas coisas fazem santos e granel. E fazem-nos, hoje mesmo; esta é a verdade. Por si mesma, a Legião poderá resolver o problema das vocações para a Igreja.

A.N. - Obrigado, Senhor Duff, por estar conosco e por nos dar tão bela entrevista. E também pelas informações proveitosas para os Legionários do mundo inteiro. Obrigado.

F. DUFF - Obrigado, também, Al Norrel, pela habilidade com que dirigiu as perguntas e pela paciência que teve para com as minhas respostas. (Risos ...).


Tradução de "Maria Legionis"

por Yolanda Vieira Ribeiro (Presidente do Senatus Rio de janeiro)

Prezados Irmãos Legionários:

Salve Maria!

Abaixo textos para o site da Legião de Maria, coordenado pelo Senatus do RJ "Frank Duff". Os créditos

devem ser feitos para a Regia de Santa Maria/RS.

Sendo só, despeço-me com um abraço fraterno. Salve Maria!!!

Wanderley - Vice-Presidente o Senatus de SP.
                                                    CONHECENDO FRANK DUFF

Toda organização tem interesse em conhecer suas origens, os responsáveis pelo seu começo, os motivos que os inspiraram, quem teve a iniciativa, enfim, como tudo aconteceu. Acreditamos que os legionários, em geral, sabem que a Legião de Maria teve seu início na Irlanda, numa primeira reunião ocorrida no dia 07 de setembro de 1921, por iniciativa de Frank Duff. Mas sabemos também que, talvez a maioria dos legionários desconheça a biografia de Frank Duff, suas virtudes de cristão autêntico, apóstolo incansável e dedicado servo de Nossa Senhora, devendo, por isso, ser admirado e seguido por todos aqueles que escolheram a Legião de Maria como caminho de santificação.

Considerando a dificuldade de chegarem às mãos dos legionários, espalhados por todos os rincões gaúchos, livros que narrem a vida e obra do Fundador, os responsáveis pelo Jornal Vexilum decidiram que a partir do mês de março de 2004, serão reproduzidos numa coluna do Jornal, trechos do livro” UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA”, de autoria de Hilde Firtel, Enviada da Legião de Maria na Alemanha.

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A FAMÍLIA DUFF – Primeiros anos - Em 1888, casam-se em Dublin, John Duff e Letitia Susan Freehill, ambos funcionários públicos e  católicos fervorosos. Após o casamento Letitia teve que abandonar o emprego . No ano seguinte, a 7 de junho nasce o primeiro filho, que dois dias mais tarde, recebe no batismo o nome de Francis Michael ( Frank Duff). Era Domingo de Pentecostes, a solene festa do Espírito Santo.

Lettitia ( Letty) deu à luz mais seis crianças, duas das quais morreram muito novas. Quatro cresceram com Frank: seu irmão John e as irmãs Isabel, Ailis e Sara Geraldini. Os pais deram aos filhos, desde o começo, o exemplo de uma fé firme e alegre.  Frank era uma criança viva e alegre com pendor para atividades esportivas. Sua vida escolar teve início numa escola particular, dirigida por religiosas. Transferiu-se, depois para um colégio dirigido por Jesuitas, onde concluiu o curso primário. O ensino secundário cursou numa escola de grande notoriedade, onde estudaram personalidades eminentes da Irlanda.. Foi um aluno brilhante, tendo ganho inúmeros prêmios. Praticava esportes, mas sua paixão era pedalar bicicleta, hábito que conservou por toda vida.

Aos 19 anos, tendo concluído, com distinção, seus estudos, foi aprovado num concurso nacional para o funcionalismo civil. A família depositava nele grandes esperanças, por suas qualidades. Gostava de rir, sempre pronto a descobrir o lado divertido de uma situação, seus olhos cinzentos, brilhavam por vezes com uma expressão marota. Era um jovem de enormes promessas.ASCENSÃO INTERIOR E EXTERIOR

Frank desempenhou cargos importantes no funcionalismo civil: foi secretário do líder do governo, trabalhou no ministério da Agricultura, sendo mais tarde transferido para o Ministério das Finanças.

Sua responsabilidade e dedicação ao trabalho representavam uma manifestação de seu anseio de perfeição. Por essa época, escreveu um pequeno livro Podemos nós ser santos?” Nele dava sugestões sobre a forma de atingir a santidade. Os conselhos que dava ele os praticava pessoalmente, por exemplo, a Missa e Comunhão diárias, que na época não eram praticadas por muitos católicos. Aos 24 anos decidiu rezar diariamente o Ofício Divino. Essa oração, naquele tempo era rezada em latim e ocupava hora e meia. A prática dessa oração ele conservou por toda vida com fidelidade e a essa prática atribuia as grandes graças que lhe foram concedidas por Deus. Um ano depois de ter tomado essa resolução, participou de uma peregrinação de penitência de três dias, compreendendo jejuns, orações e sacrifícios, dormindo em camas de tábua dura, percorrendo caminhos pedregosos com pés nus. A oração, a penitência e a prática dos sacramentos preparam Frank para sua grande missão de apóstolo.

CONHECENDO FRANK DUFF (2)



Fonte: “UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA” Hilde Firtel

 A SOCIEDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO:

A convite de um amigo, Frank Duff ingressou na Sociedade de São Vicente de Paulo, fundada na França, por Frederico Ozanam. Era uma sociedade especializada em obras de caridade, sob orientação católica, que junto aos auxílios materiais procurava levar ao pobre a idéia de que  Deus não os esquece e a Igreja se preocupa com eles. Na Irlanda, a associação era limitada aos homens. Inicialmente Frank não se sentiu muito motivado pela atividade vicentina, mas a medida em que entrou em contato com a indescritível pobreza de sua cidade natal, uma realidade que até então desconhecia, passou a dedicar-se à obra vicentina, com a determinação que lhe era característica.

Os membros da Sociedade de São Vicente de Paulo reuniam-se semanalmente em Myra House, um velho edifício onde, no passado funcionara uma fábrica de toucinho.

As reuniões da Sociedade começavam com a oração e uma leitura espiritual. Tomavam-se apontamentos para a ata e discutia-se o trabalho.

A Sociedade contava com pessoas eminentes entre os seus membros, era muito ativa e alegre. Frank sentiu-se bem no ambiente e em breve tornou-se um dos membros mais zelosos.

INÍCIO DO APOSTOLADO:

A divisão religiosa era muito forte na Irlanda. De um lado os protestantes, do outro os católicos. Aproveitando-se da situação de miséria e fome existente, os protestantes ofereciam refeições gratuitas, tratamento médico aos necessitados, com a condição de que participassem de um serviço religioso protestante, nesse tempo pecado grave para um católico. Na vizinhança da sede da Sociedade Vicentina  que Frank frequentava, todos os domingos, os protestantes ofereciam um pequeno almoço aos pobres, seguido de um serviço religioso. Desses pobres, muitos eram católicos, que atraídos pela oferta de alimento, acabavam por participarem dos ofícios protestantes. O Presidente da Conferência Vicentina pediu voluntários para observarem a situação e fazerem algo a respeito. O jovem Frank Duff atendeu ao apelo e no Domingo seguinte, às 7,30 de uma manhã muito fria, com outros companheiros apresentou-se no local. Pessoas muito humildes e mal vestidas foram entrando na referida casa dos protestantes. Na oportunidade, Frank conheceu Gabbet um sapateiro, católico fervoroso, que disse-lhe estar decidido a abrir uma obra de beneficência, para concorrer com os protestantes e evitar que os pobres católicos fossem desviados de sua religião. Lennon outro jovem vicentino conseguiu autorização do diretor de uma escola do outro lado da rua para ali instalarem seu serviço de benemerência. Assim foi que no Domingo seguinte passaram a oferecer um pequeno almoço aos pobres. Enquanto Gabbet convidava as pessoas, que se encaminhavam para o local dos protestantes, a passarem ao outro lado da rua onde também receberiam refeição, Frank e Lennon prepararam e serviram o pequeno almoço e depois lavaram a louça e limparam a sala. A partir daquele dia todos os domingos ofereciam esse serviço aos pobres. Na época, não havia missa à tarde, então Frank e os companheiros assistiam a uma Missa muito cedo para poderem iniciar o trabalho às 7,30h e ficavam toda a manhã sem comer. O jovem Lennon tinha uma saúde delicada, por isso teve de desistir da tarefa. Frank e o sapateiro Gabbet continuaram. Com o convívio nesse apostolado, ficaram amigos apesar da diferença de cultura.  Gabbet era possuidor de uma fé vigorosa e o único assunto de que falava era religião. Houve assim grande afinidade entre os dois. As salas onde serviam o pequeno almoço, aos domingos, não era ocupada durante os dias de semana. Frank passou a dar aulas de catecismo a jovens e homens. Mais tarde conseguiu que algumas senhoras e moças dessem instrução religiosa às meninas da escola.

Em 1916 teve início a guerra de independência da Irlanda, Gabbet alistou-se no exército, devolvendo ao proprietário a casa onde residia. Antes de partir deu para Frank todos os objetos que possuia. Frank levou tudo para “Myra House”. Entre os artigos havia uma estátua, em gesso, de Nossa Senhora das Graças.

 
Compilado por Abigail Duarte
CONHECENDO FRANK DUFF 

Fonte: “UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA” Hilde Firtel



 A centelha inicial – A Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria

Nos fins de tarde, Frank Duff costumava freqüentar Myra House, onde havia sempre alguma coisa a fazer. Raro era o dia em que não houvesse qualquer reunião ou conferência.

Uma vez, Frank entrou numa sala, no momento em que um indivíduo, entusiasmado, aconselhava um livro aos ouvintes. Frank sempre se interessara por livros. Parou para escutar. Não conhecia o autor, Luiz Maria Grignion de Montfort, nem a obra.. A discussão não lhe despertou o interesse; em breve esqueceu o fato.

Frank gostava de ler. Frequentava regularmente as lojas de livros “em segunda mão” e os quiosques de venda de livros, então existentes em Dublim. Um dia passeando o olhar por uma série de livros expostos, deparou com um pequeno volume de Luis Maria Grignion de Montfort – TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM – traduzido para o inglês pelo Padre Faber. Lembrou-se Frank de que era o livro sobre o qual ouvira elogios, e como o preço não era alto, comprou-o e leu-o do princípio ao fim.

Grignion de Montfort ensina que Cristo veio ao mundo por Maria e continua a atuar por meio dela. Quer dizer, nasce e cresce em cada alma por Maria, e tudo acontece por obra do Espírito Santo. Aquele que se dá inteiramente a Maria, que lhe entrega todos os seus bens temporais e espirituais, que tudo faz com Ela, n’Ela e para Ela, coloca-se na mesma corrente da graça divina. Frank achou o livro exagerado, e colocou-o na prateleira sem intenção de voltar a lê-lo. Frank Duff, como a maioria dos irlandeses, era devoto de Nossa Senhora, Reconhecia que Ela era a maior dentre os santos e por isso podíamos pedir sua intercessão junto a Deus, mas daí a reconhecer o papel único de Maria no plano divino da Redenção, era um longo caminho que Frank ainda não havia percorrido, mas que teve que procurar e encontrar laboriosamente. Pode-se colocar nos lábios de Nossa Senhora a frase usada por Jesus: “Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi a vós...” Maria sabe muito bem ganhar o coração daqueles que escolheu. Para isso serve-se, às vezes, de outras pessoas.

Tom Fallon era dirigente da Sociedade de São Vicente de Paulo, da qual Frank era membro, um dia subitamente perguntou a Frank:

_ Você conhece a “Verdadeira Devoção a Nossa Senhora” de Luis de Montfort?

_ Sim, já li o livro.

_ Que lhe parece?

­_ Não gosto dele.

_ Então não o leu bem.

_ Li, li-o do princípio ao fim.

_ Talvez, mas não a fundo. Talvez o tenha folheado apenas. Leia-o de novo.

 Frank tinha grande apreço por Tom e obedeceu – mas a Segunda leitura não o fez  mudar de opinião.

Na reunião seguinte Tom perguntou a Frank _ Você já leu de novo o livro?

_ Li, mas ainda o acho exagerado.

Tom não desistiu. Sempre que se encontravam, voltava ao assunto.

A insistência do amigo, deve ter-lhe provocado a inspiração de que “ o conteúdo do livro era verdadeiro, se o não compreendia é porque lhe faltava conhecimento suficiente sobre Nossa Senhora e seu papel no plano da Redenção. Frank procurou sanar essa lacuna. Tendo passado alguns dias na Abadia de Mout Melleray, solicitou que lhe emprestassem para leitura um livro sobre Nossa Senhora que fosse ao mesmo tempo profundo e de fácil compreensão. Foi-lhe emprestado um livro de umas 300 páginas, intitulado “O conhecimento de Maria”, escrito por Joseph de Concílio. Como Frank convenceu-se de que não encontraria exemplares do livro à venda, decidiu copiá-lo. Todas as noites ficava até altas horas copiando o livro. Com isso pode gravá-lo em seu espírito de forma mais efetiva do que se apenas o tivesse lido. Daí resultou, como previra, uma mais perfeita compreensão da  “Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, de Grignion de Monfort.

Como verdadeiro apóstolo, que era, não guardou só para si o “tesouro” que descobrira. Levou para as reuniões de grupo em Myra House o estudo do livro de Grignion de Montfor. Alguns membros do grupo ficam logo interessados, outros apresentam interrogações e dúvidas. É marcada uma reunião especial, para a qual são convidadas todas as pessoas interessadas. Foi numa tarde inteira de agosto de 1921 que passaram a debater e explicar a doutrina do bem-aventurado Luis Maria Grignion de Montfort, que na época ainda não havia sido canonizado. Quando os participantes da reunião se separaram estavam decididos a adotar a Verdadeira Devoção e dentro desse espírito consagrarem-se a Nossa Senhora.
CONHECENDO FRANK DUFF ( 4 )


Sete de Setembro de 1921 – Nascimento da Legião de Maria

 

Numa reunião dominical em Myra House, alguém  comentou que na visita que fizera ao Hospital da União, ficara impressionado com o que vira. Era um hospital para gente pobre e ali se encontrava uma grande miséria material e espiritual. Especialmente lamentável era a seção reservada aos cancerosos, principalmente o setor feminino, onde as mulheres pareciam ali estarem para apodrecer vivas.. Nessa reunião, após ouvirem o relato, foi sugerido que as moças do grupo, se encarregassem de visitar regularmente a seção feminina do hospital, assim como os homens do grupo, costumavam visitar o setor masculino. Todos concordaram com a sugestão. Marcaram para a próxima quarta-feira, às 20:00h,  uma reunião para a qual convidariam outras pessoas, principalmente moças, para se responsabilizarem pelas visitas às doentes. Quando os participantes compareceram, na Quarta-feira seguinte, havia umas quinze pessoas. Encontraram na sala um pequeno altar de Nossa Senhora das Graças. A imagem, que fora a que Frank Duff recebera de seu amigo Gabbet, estava sobre uma toalha branca, ladeada de dois vasos de flores e duas velas. Invocado o Espírito Santo e rezado o Terço do Rosário, discutiu-se o trabalho a fazer. Foi decidido reunirem-se semanalmente e que o primeiro trabalho seria a visita, em pares, ao Hospital da União onde não haveria auxílio material, mas cuidados às doentes e preocupação evangelizadora. Resolveram que de início fariam parte do grupo as senhoras e moças, exceção feita a Frank Duff, força motriz desde o começo e naturalmente ao Padre Toher que seria o Diretor Espiritual. Nenhum dos presentes suspeitou que dessa primeira reunião de 07 de setembro de 1921, surgiria o exército de Nossa Senhora , “a Legião de Maria”. Só Maria o sabia.

Existe ainda a ata da primeira reunião. A secretária que a redigiu, colocara em primeiro lugar na relação dos participantes, o nome de Frank Duff. Mas o nome foi riscado. No final da página, escrito com a letra de Frank, lê-se: Frank Duff também tomou parte na reunião.” Ele sempre procurou esconder ou ao menos minimizar o seu papel na fundação.

Os membros da nova associação, concordaram em visitar as pessoas como se, por meio delas, Nossa Senhora o fizesse e em ver o Seu Divino Filho em cada um dos visitados. Por ocasião da distribuição dos trabalhos, as jovens faziam questão de visitarem o setor mais difícil do hospital, o das cancerosas. O grupo era formado por pessoas muito jovens, com exceção de Frank Duff, com 32 anos e da Srª  Elizabeth Kirwan, a única em idade madura. Todas as jovens respeitavam e admiravam a Srª Kirwan, foi ela que introduziu o costume  de ler uma vez por mês, as quatro condições fundamentais do trabalho no novo movimento. Ou, como é hoje conhecida, “a Instrução Permanente” A Srª Kirwan foi eleita presidente do grupo, sendo assim a primeira presidente da Legião de Maria.

 O Hospital da União era dirigidos pelas Irmãs da Misericórdia. Quando tomaram conhecimento da existência do novo grupo e seus objetivos, prometeram oferecer a missa e a comunhão pela prosperidade do grupo. Como retribuição o grupo escolheu o nome de “Associação Nossa Senhora da Misericórdia”. Este veio a ser o primeiro grupo do movimento que mais tarde veio a Chamar-se “Legião de Maria”. Algum tempo depois , houve necessidade de escrever a história do Movimento que já crescera notavelmente. Era preciso apresentar a data da fundação, mas ninguém lembrava com exatidão. Consultaram então o caderno das atas, que Frank Duff prudentemente havia guardado. A data da primeira reunião era 07 de setembro de 1921. “Que pena!” – exclamou alguém. “Seria melhor o dia 8, festa da Natividade de Nossa Senhora.” Frank viu mais fundo. Conhecedor da Liturgia, pois rezava o Ofício Divino diariamente, argumentou. No dia 7 de setembro, às 20:00 horas a Igreja rezava as primeiras “Vésperas” da festa da Natividade de Maria. No dia 8, às 20:00 horas a festa de Maria teria passado e já se começava o Ofício do dia seguinte. Assim a Legião de Maria, começara exatamente com as primeiras orações da Natividade de Nossa Senhora.

                                                                                  
Fonte: UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL

           FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – Hilde Firtel
CONHECENDO FRANK DUFF 

 Primeiros Passos do Novo Movimento

 Na Segunda reunião do Novo Movimento, tudo correu com uma precisão matemática: os relatórios eram mais que animadores, os doentes do  Hospital da União mostravam-se agradecidos com as visitas e cuidados das jovens. As atas das reuniões demonstram que novos membros entram para o grupo em cada uma das semanas seguintes. Alguns meses após a fundação, estavam presentes setenta irmãs. Frank Duff tomou parte em todas as reuniões. Compreendeu ele que Nossa Senhora lhe arrancara o leme e passara a orientar o pequeno grupo. Deu-se conta também que era exigido dele e dos outros membros uma entrega completa e incondicional.

Um dia, cerca de três meses depois do nascimento do Movimento, trataram de planejar seu futuro. Foi então que Frank predisse que o Novo Movimento se difundiria pelo mundo. Essa previsão causou muito riso entre as jovens, pois jamais poderiam sonhar com a extensão que alcançaria o Movimento.

                           Trabalhos difíceis e heróicos: Recuperação de prostitutas –Já antes da formação do primeiro grupo, Frank Duff preocupava-se com a difícil situação das raparigas de rua e como salvá-las. Havia em Dublim alguns conventos do Bom Pastor, cujas religiosas se propunham a receber mulheres decaídas que desejavam mudar de vida. Entretanto era preciso que tais mulheres procurassem as religiosas e pedissem auxílio. Isto raramente acontecia.

Cerca de oito meses após a fundação do primeiro Grupo, Frank foi informado sobre duas senhoras de meia idade desejosas de dedicarem suas vidas a um trabalho de apostolado. Frank  procurou-as e falou-lhes de sua idéia de formar um “LAR” para recuperação das garotas de prostíbulos. Elas prontamente se ofereceram para viver na casa e cuidar das pessoas que ali se recolhessem.

Como o primeiro grupo da Legião ( ainda não haviam adotado o nome), tinha um número excessivo de membros, fundou-se um segundo grupo. A este segundo grupo foi confiada a tarefa de auxiliar na recuperação das prostitutas.

Frank Duff convocou uma reunião com as partes interessadas. Além dele compareceram as duas senhoras de meia idade com mais uma companheira e quatro sacerdotes. Como primeira iniciativa para a conversão das garotas de rua, entenderam que seria importante levá-las a fazer um retiro fechado. Mas onde? As tentativas com as casas de retiro de Dublim, fracassaram. Todos se recusaram horrorizados. Finalmente uma madre superiora de um convento fora da cidade, concordou em emprestá-lo para o tal retiro, durante as férias das alunas. O trabalho dificílimo de convencer as prostitutas a fazerem o retiro, coube ao novo grupo de legionárias. Cinco membros foram designadas a convencerem as garotas de um prostíbulo a fazerem o retiro. Frank encarregou-se das outras providências, inclusive conseguir um pregador e condução para levar as garotas ao convento onde se realizaria o retiro. Das 31 garotas que viviam numa casa de prostituição, 23 compareceram pontualmente no local combinado para serem conduzidas ao retiro.

Só a Madre Superiora sabia o tipo de pessoas que compareceram ao retiro, as outras religiosas pensavam que eram moças de uma associação do Sagrado Coração de Jesus. Durante o retiro houve grande preocupação quanto à reação das retirantes tão especiais. Havia receio que algumas desistissem e fugissem. Nada disso aconteceu. As moças ficaram até o fim e todas se mostraram decididas a mudar de vida, Com exceção de duas que não eram católicas, todas foram à confissão e no dia seguinte receberam a Sagrada Comunhão.

Durante os dias do retiro, Frank compreendeu que pouco valeria todo aquele esforço, se depois as moças voltassem ao prostíbulo de onde vieram. Acompanhado por dois sacerdotes foi procurar um membro do governo e expôs-lhe toda a situação. O Ministro procurado mostrou-se impressionado e prometeu-lhes discutir o caso na reunião do Ministério, à tarde. Na manhã seguinte Frank recebeu uma carta – exposta presentemente na sede do Concilium Legionis, em Dublim – em que se declarava que uma casa no centro da cidade era colocada a sua disposição, isenta de taxas por três meses. Para mobiliá-la com o indispensável, tomou por empréstimo móveis da sede dos Vicentinos. Terminado o retiro todas puderam ir para a nova residência, a qual ajudaram a limpar e arrumar. Na companhia das duas senhoras que se dispuseram a morar com elas, puderam reiniciar suas vidas, sob a proteção do Sagrado Coração de Jesus, cuja imagem foi entronizada nesse novo lar e com as bênçãos de Nossa Senhora a quem Frank Duff recorria com confiança e amor filial.

Fonte: “UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA, HILDE FIRTEL
CONHECENDO FRANK DUFF:

O MOVIMENTO RECEBE NOME E SE ESTRUTURA

O movimento mariano de apostolado, iniciado a 7 de setembro de 1921, foi rapidamente crescendo e surgindo novos grupos. Cada um dos ramos ou grupos que se formava escolhia seu próprio  nome, sempre referente a Nossa Senhora. O primeiro chamava-se Nossa Senhora da Misericórdia, o segundo Imaculada Conceição, o terceiro Nossa Senhora do Sagrado Coração, o quarto Refúgio dos Pecadores. Era preciso agora encontrar um nome para o próprio movimento, tanto mais que os grupos precisavam se unir sob a direção de um Conselho Central. O Conselho reuniu-se para debater a necessidade da escolha de um nome. Ficou resolvido que todos os membros participariam de uma novena para que chegassem a uma escolha acertada. Na reunião seguinte várias propostas foram apresentadas, mas nenhuma foi considerada adequada. Frank Duff refletiu muito, procurando um nome que não só fosse breve e conciso, mas que com alguma alteração pudesse ser aplicado aos membros. Na véspera da Segunda reunião, para sugerirem o nome, Frank estava no seu escritório. Era muito tarde, passava da meia-noite, ele decidiu  deitar-se. Parou um momento em frente de um grande quadro de Nossa Senhora que ornava uma das paredes e, de repente, surgiram espontaneamente ao seu espírito as palavras Legião de Maria.Com isto, toda a dúvida se desvaneceu. O nome não só caracterizava perfeitamente o Movimento, mas poderia aplicar-se a cada um dos membros que se tornariam legionários de Maria. Que desilusão no dia seguinte, quando a proposta de Frank foi rejeitada na reunião. Os outros nomes apresentados também foram considerados impróprios. Sugeriu-se outra novena. Um mês depois, outra reunião. Surgiram numerosas propostas. Frank não disse uma palavra. Então o Padre Creedon, diretor espiritual, volta-se para Frank Duff e diz-lhe: “O senhor não tem qualquer proposta?” “Da última vez apresentei uma” - respondeu Frank- “mas foi rejeitada. Ora eu não conheço nada melhor do que Legião de Maria.”

A proposta foi aceita por unanimidade. Isto acontecia em novembro de 1925, quatro anos depois da fundação do primeiro grupo.

Frank põe-se a refletir: Legião! Não fora este o nome do exército romano? Que modelo de zelo, de coragem de disciplina e obediência para os legionários de Maria que agora se dedicavam à conquista do mundo para Cristo, tal como os antigos legionários haviam conquistado o mundo, então conhecido, para o Império Romano. Frank conhecia latim. Pois bem, que nome davam os legionários romanos às suas guarnições? “Praesidia”. Pois assim se chamariam os grupos da Legião de Maria. O uso do latim tinha a vantagem de unificar em todas as nações a denominação dos grupos da Legião de Maria. Não seria necessário traduzir para as diferentes línguas.

Cada regimento da Legião Romana possuía seu estandarte encimado pela águia romana, por baixo da qual ostentava num medalhão a figura do comandante supremo. Este deveria ser o modelo para o estandarte da Legião de Maria. A águia seria substituída pela pomba, símbolo do Espírito Santo, e o comandante supremo, por Nossa Senhora como distribuidora de graças, como aparece na Medalha Milagrosa. Fizeram-se vários desenhos e depois de correções e melhorias surgiu o Vexillum, estandarte característico que está presente no “Altar Legionário”, é levado como bandeira nas procissões e aparece no papel timbrado da Legião e nas suas publicações.

A Promessa Legionária também surgiu de uma iluminação recebida por Frank Duff. Tornara-se evidente que antes do alistamento definitivo haveria um período de prova, cuja duração foi fixada em três meses. O ingresso oficial na Legião seria feito com uma promessa que deveria exprimir a espiritualidade da Legião. Frank estava fazendo seu retiro anual. Era Pentecostes. Ao refletir sobre a promessa compreendeu de que ela não deveria dirigir-se a Maria, mas ao Espírito Santo. Reconhece-se na ação de Maria, o Espírito Santo que nela formou o Cristo histórico e continua a formar por Ela o Corpo Místico no coração de cada pessoa. Sob essa inspiração Frank formulou a Promessa Legionária, que, conforme Paulo VI declararia muitos anos mais tarde, encorajou milhares de legionários a aceitar a responsabilidade do martírio.

Foram também fixadas as Orações da Legião, as quais compõem a Tessera e receberam o Imprimatur. De particular beleza é a Oração Final, que reflete as próprias palavras de São Grignion de Montfort. Foi contratado também um artista que pintou o quadro que se faz presente na Tessera e na capa do Manual.

Os instrumentos estavam concluídos. A conquista do mundo podia começar.

Fonte: “Um pioneiro do Apostolado Laical – Frank Duff e a Legião de Maria” Hilde Firtel
CONHECENDO FRANK DUFF - A LEGIÃO DE MARIA COMEÇA A EXPANDIR-SE

Após cinco anos da fundação da Legião de Maria, o número de “ Praesidia” subira para treze, todos eles ainda em Dublim. Em 1927, funda-se o primeiro grupo fora da  capital, em outra cidade da Irlanda de nome Waterford. No ano seguinte, Frank vai à Escócia para lançar a Legião de Maria no país. Até essa época não havia nada escrito sobre as regras, o sistema ou o histórico da Legião de Maria para poder explicá-la e assim                    difundí-la. Frank senta-se e escreve. Depois de um breve relato sobre as origens da Legião, seus objetivos e espiritualidade, apresenta as regras e costumes que se haviam criado espontaneamente desde sua fundação. Surgiu então um pequeno livro que recebeu o nome de “Manual da Legião de Maria

Cumpre observar que sempre que se decide fundar uma organização ou associação, trata-se logo de se fazer e registrar os estatutos, que orientarão as atividades dos membros. No caso da Legião se deu o caminho inverso. A Legião trabalhou cerca de sete anos sem que as regras de sua atividade tivessem sido postas no papel. O Manual foi então uma espécie de fotografia do Movimento, ou seja o registro daquilo que durante vários anos se havia praticado.

Em 1929 funda-se um primeiro Praesidium na Inglaterra. Já em 1930, uma legionária inglesa indo residir na Índia, consegue fundar um primeiro praesidium em Madrasta. Até então a Legião estava presente somente em países de língua inglesa. Em 1930 Frank Duff, com outro companheiro, vai a Paris e consegue a aprovação do Cardeal Verdier para a introdução da Legião em França. Isto acontecia exatamente no ano do Centenário da aparição, em Paris, de Nossa Senhora à Catarina Labouré, encarregando-a de mandar cunhar a medalha que ficou conhecida no mundo inteiro como “Medalha Milagrosa”.. Nesse mesmo ano a Legião chega à América, sendo fundado um Praesidium formado só por homens na cidade de Raton, no Estado do Novo México ( EUA). A partir daí um grande número de homens passa a filiar-se à Legião.

ATIVIDADES DE FRANK EM DUBLIM – Ao mesmo tempo que a Legião de Maria iniciava sua expansão em outros países, Frank Duff e os legionários não se descuidavam em atender as necessidades de apostolado, na cidade de origem. Por essa época, Dublim desenvolvera-se e com isso cresceram também os problemas sociais e espirituais. Pelas ruas vagavam homens pedintes, alcoólicos, desempregados, sem esperança de reabilitação se não fossem ajudados. Logo Frank sentiu a necessidade de conseguir um lugar para abrigar esses infelizes, como já o fizera com as “garotas de rua”. Começou por escrever uma longa carta à Comissão de Assistência, órgão oficial existente em Dublim para cuidar desse tipo de problema, mostrando-lhes a necessidade de cuidar de tais pessoas, para que pudessem se reintegrar na sociedade. Fazia-se necessário oferecer uma residência, ou Lar para tais pessoas, como já fora feito para as raparigas de rua, dando-lhes condições de reabilitação. Depois de muitas buscas, descobrira no norte da Cidade, um velho edifício, que com auxílio do governo e o trabalho de Frank e legionários, ficou em condições de, a 25 de março de 1927, abrir suas portas para receber os moradores de rua. A casa recebeu o nome de “Estrela da Manhã”. Houve o cuidado de que os pensionistas do “Estrela da Manhã” não fossem recebidos gratuitamente. Deveriam pagar uma pequena contribuição para a cama e mesa, e no caso de serem completamente indigentes, pagariam com seu trabalho na casa. O fato de saberem que estavam pagando sua subsistência levá-los-ia  a desenvolver respeito por si próprios. No mesmo dia da inauguração, entram dois pensionistas, os quais, após muitos anos, passam a viver dignamente, dormindo em cama limpa. Alguns membros da Legião se prontificaram para lá residir e dirigir o estabelecimento. No decorrer do tempo, centenas de homens passaram por aquela casa e conseguiram retornar a uma vida digna. Três anos mais tarde, Frank e a Legião, abrem uma casa semelhante para abrigar mães solteiras e mulheres sem lar. Esta recebeu o nome de “Regina Coeli” ( Rainha do Céu). Algumas Legionárias ofereceram-se para ali residir e dirigir a casa. Em ambas as casas foi reservada uma sala para capela, onde se faziam as orações e era celebrada a santa Missa.  No edifício “Regina Coeli”, em três pequenos quartos, se estabeleceu a sede da Legião. Frank Duff alugou uma residência ao lado do “Regina Coeli” e para lá se mudou, com sua mãe e seus irmãos. A Legião ia conquistando novos países e Frank Duff acompanhava e orientava, por meio de cartas, o crescimento da Legião pelo mundo, com isso seu trabalho crescia de forma incomensurável.

Fonte: “ UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA” – HILDE FIRTEL

CONHECENDO FRANK DUFF
VISITA AO PAPA PIO XI

A expansão da Legião de Maria, em seus primeiros anos, esbarrou muitas vezes com a má vontade de alguns padres e até mesmo de ordens religiosas, que não aceitavam que um movimento religioso fosse orientado por um leigo. Na época, grande parte do clero entendia que os leigos na Igreja só deveriam ter papel secundário de prestadores de serviços.

À medida que cresciam as dificuldades para a Legião, crescia também em Frank Duff o pensamento de apelar para o auxílio de Roma. Desejava ser recebido pelo Papa. Sabia que Pio XI valorizava o trabalho evangelizador do leigo, por isso tinha esperança de obter a simpatia de Sua Santidade para a Legião de Maria. Depois de recorrer a várias autoridades religiosas e leigas, Frank Duff acompanhado de Monsenhor O’ Brien foi recebido pelo Papa. Pio XI fez-lhes inúmeras perguntas e finalmente indagou-lhes, o que queriam dele. Monsenhor O’Brien disse-lhe: Desejamos que Vossa Santidade manifeste o desejo de ver difundida por todo mundo, a Legião de Maria. Depois de uma longa pausa, Pio XI respondeu: “É com todo coração que manifesto esse desejo.” Depois levantou-se e dirigindo-se a Frank Duff, abraçou-o, dizendo com voz emocionada: “Esta obra vem de Deus”.

Pouco tempo depois, Frank recebia uma carta do Santo Padre, em que este concedia uma bênção especial à Legião de Maria, a que chamava “uma bela e santa obra”.


“PELOS FRUTOS SE CONHECE A ÁRVORE” – OS ENVIADOS

Santa Tereza de Ávila conta em seu livro “Castelo Interior” que, quando uma pessoa produz muitos frutos na vida sobrenatural, rapidamente encontra companheiros para ajudá-la a saboreá-los. Frank é disso um exemplo. Foi seguido desde o começo por pessoas que encontraram na Legião o clima espiritual em que poderiam expandir-se e desenvolver-se. Numa entrevista na televisão, o entrevistador perguntou a Frank o que pensava da Legião como modeladora de santos. Ele respondeu: “A Legião ensina o legionário e dá-lhe capacidade de compreender as grandes verdades da Fé católica, tais como a doutrina do Corpo Místico, a maternidade de Maria e o extraordinário ascendente de Nossa Senhora sobre o Espírito Santo. Estas coisas são santas e santificantes. Fazem santos a granel.” Isto não significa que basta pertencer à Legião para considerar-se santo. Mas a dedicação heróica à Legião pode produzir santos. Na biografia de muitos legionários que, desde o princípio do Movimento, dedicam-lhe inteiramente suas vidas, encontram-se exemplos de santidade e heroísmo. Dentre estes se destacam os chamados “Enviados”, os quais foram semear a Legião de Maria em países distantes.

Frank Duff mandou tirar uma fotografia de cada um dos “Enviados” para manter suas imagens sempre diante der seus olhos. É a Galeria dos Enviados. Dentre estes, destaca-se Edel Quinn, a jovem que desejava ser Irmã Clarissa, não sendo admitida por ter sido acometida de tuberculose, na época, doença incurável. Mas a doença não a impediu de ir trabalhar na África, onde nos oito anos que lhe restaram de vida fez maravilhas, levando a Legião de Maria a diferentes regiões daquele grande continente. Lá morreu e foi sepultada, sem nunca haver retornado para sua Pátria e sua família. Doze anos após sua morte iniciou-se o processo de beatificação, já tendo sido considerada “venerável”.

Do navio que a levou à África, Edel enviou uma carta a Frank Duff, onde declara: “É bom sentir que confia em mim, isto ajudar-me-á nos dias que se aproximam. Estou contente por me ter deixado partir, mais tarde os outros também ficarão contentes.”

Frank, referindo-se a Edel: “ Foi o produto completo da Legião de Maria, a sua quinta essência, por assim dizer.”

Mas aquele que criou e lhe ofereceu o molde de sua vida de santidade, depois de Deus, foi Frank Duff.



Fonte:UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – Hilde Firtel
CONHECENDO FRAK DUFF –

A LEGIÃO DE MARIA DURANTE A 2ª GERRA MUNDIAL

Conhecer a vida de Frank Duff é conhecer a história da Legião de Maria, de tal maneira Frank Duff se identificou com a Legião. A Legião é a sua vida, tudo o resto é periférico.

Antes de estalar a Segunda Guerra Mundial ( 1939), a Legião espalhara-se já pelos cinco continentes, mas a sua presença tornara-se notabilíssima sobretudo nos países de língua inglesa.

A neutralidade da Irlanda durante a guerra facilitou a Frank o contato com os Conselhos da Legião em todo o mundo. Da Inglaterra chegavam relatórios animadores. Apesar das condições de guerra em que o país vivia, Os Praesidia faziam suas reuniões com regularidade e cumpriam seus trabalhos apostólicos, como se as circunstâncias fossem normais. Alguns grupos transferiram as reuniões de fim de tarde, após o trabalho, para manhãs de domingo. À noite as ruas ficavam  escuras, por causa dos ataques aéreos que aconteciam assim que escurecia., tornando-se perigosas para as irmãs legionárias. Um relatório legionário de 1942 contava que ; enquanto dois membros de um Praesidium faziam sua Promessa Legionária, o grupo teve que se meter debaixo da mesa, por mais de uma vez, para proteger-se das bombas.. Às vezes as reuniões eram feitas em abrigos anti-aéreos. Os Legionários rezavam o terço em voz alta e convidavam os presentes a acompanhá-los.

Também em França a Legião começou durante a guerra. Deveu-se isso a Verônica O’ Brien, uma jovem irlandesa, enviada para França antes da guerra e que se recusou a regressar a Dublin, quando a situação começou a ficar perigosa. “Hei de regressar quando tiver fundado aqui a Legião, e não antes.”, escrevera ela de Paris. Por muito tempo estas foram as suas últimas notícias. Quando o exército alemão que ocupara primeiramente o norte do País avançou para o sul, Verônica juntou-se aos fugitivos que tentavam escapar dos invasores. Esfomeada e lívida, apenas com a roupa do corpo Verônica chegou finalmente a Nevers. Foi acolhida no convento onde Santa Bernadete Soubirous viveu seus últimos dias . As notícias que chegaram a Dublim acusavam a fundação de sete Praesidia.

No meio das dificuldades da guerra, nenhuma fronteira parecia fechar-se à Legião. Na Alemanha foi fundado o primeiro Praesidium com dezoito membros num campo para prisioneiros de guerra. Um soldado australiano não se separava do Manual, mesmo em combate.

Na Itália, depois do desembarque das Forças Aliadas, perto de Anzio e Nettuno, foi fundado um Praesidium por soldados britânicos. À medida que avançavam para o norte, levavam com eles o Praesidium, chegando em Roma foram recebidos por Pio XII, que deles ouvira falar. Quando lhes perguntou se  tinham algum pedido a fazer-lhe, solicitaram licença para fundar a Legião de Maria em Roma.

Depois da guerra surgiram oportunidades de fundar a Legião em muitos outros países.

Frank Duff rezava para que surgissem Enviados capacitados a levar a Legião aos paises que dela necessitavam. As orações foram ouvidas: Uma legionária de Viena ofereceu-se para trabalhar na Alemanha. Uma irlandesa que falava corretamente o italiano, seguiu para a Itália. Duas notáveis jovens filipinas apresentaram-se: Joaquina Lucas, professora na universidade de Manilla, partiu para América do Sul e Pacita Santos, jovem advogada de Manila, deixou a família e os clientes e partiu como enviada para a Espanha. Teresa Su, uma jovem chinesa, foi para a Indonésia

Um caso notável foi de um jovem que Frank nunca conheceu pessoalmente, mas por quem nutria grande admiração e interesse. Era russo e viera para a Alemanha como prisioneiro de guerra. Terminada a guerra decidiu fixar-se ma Alemanha. Fundada a Legião em sua paróquia, assumiu a presidência do grupo. Algum tempo depois entendeu ser seu dever introduzir a Legião na Rússia comunista. Procurou o pároco e expôs sua idéia. Este, advertiu-o:

- “Você não sabe o que acontece aos repatriados?

- Sei. São mandados para a Sibéria durante cinco anos para serem reeducados. Mas eu sou novo e forte; posso esperar cinco anos. Como vê ou sofro o martírio, ou fundo a Legião. Quando receber notícias de mim, mesmo um simples postal, saberá que consegui meu objetivo.

Após seis anos sem qualquer notícia, chegou um postal de um campo de prisioneiros na Sibéria; mais tarde chegaram outras cartas contando seu trabalho. Frank interessou-se vivamente por este caso, pois a União Soviética era considerado um grande desafio a ser conquistado pela Legião. Frank terminou uma carta com a frase: “Temos de entrar na Rússia. Temos de entrar na Rússia”


Fonte:UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – Hilde Firtel

CONHECENDO FRANK DUFF-

 As Cruzes do caminho


Na vida desse valoroso cristão, não podiam faltar os sofrimentos, as provações.

Perdas: A dedicação permanente de Frank Duff ao apostolado cristão, representado pela Legião de Maria, nunca interferiram com a afeição que consagrava à família. Conservando-se celibatário, sua afeição familiar concentrava-se no irmão, nas irmãs e principalmente na Mãe. Com exceção da Mãe, que se manteve física e mentalmente forte até o fim, os irmãos demonstravam saúde delicada, num contraste com o vigor mantido por Frank, no decorrer de sua longa vida. Em poucos anos, perdeu um após outro os membros mais próximos de sua família.

Primeiro foi sua irmã Isabel, falecida em junho de 1949. Dois meses depois, a 20 de agosto de 1949, falecia John, seu único irmão, após enfermidade relativamente rápida. Frank sofreu com a perda dos irmãos por quem tinha muita afeição. Mas o pior golpe estava ainda por vir: A morte repentina da mãe, nos começos de 1950. Frank ficou tremendamente abalado. Desabafa numa carta a amigos íntimos: O golpe foi enorme, o pior da minha vida. Acrescentado aos desastres que o precederam, não sei realmente onde me encontro. Vai levar-me algum tempo a acalmar e a encontrar o equilíbrio.” Muito tempo depois escrevia a um amigo que se lamentava dos sofrimentos da idade. “ Você nota que envelhecer é difícil. Eu não diria isso. É possível envelhecer com graça: a minha mãe conseguiu. Manteve perfeitas as faculdades intelectuais e muito do seu vigor físico. Lia muito e interessava-se por tudo; mostrava-se bondosa, afável e sempre forte. Na sua vida não houve crepúsculo, declínio mental ou enfermidade dolorosa..”

No mesmo ano da morte da mãe, sofreu a perda de um grande amigo, o Pe. Creedon. Fora Diretor Espiritual do Concilium Legionis por mais de 25 anos e Frank nutria por ele uma estima profunda.

Um ano depois, faleceu a irmã mais nova, Ailis, vítima da tuberculose. Restou somente uma outra irmã, Sara Geraldina, médica, casada com médico.

Frank sofreu, quase de uma forma insustentável, com a perda da sua família, sobretudo da mãe. E como se não bastasse, quase não havia um dia que lhe não chegassem más notícias da Legião de Maria, daqui ou dali. Os Enviados estavam acostumados a olhá-lo como o seu  “Muro de Lamentações”. Descarregavam nele as dificuldades e desilusões enfrentadas em seu trabalho. Se às vezes sentiam remorsos por causa disso, Frank confortava-os, dizendo-lhes que estava ali precisamente para os encorajar e ajudar e que gostava de o fazer.

Houve perseguições à Legião em diferentes países, notadamente na França o que fez Frank escrever: Em França, o inferno está à solta contra a Legião. Provavelmente a causa disto é o fato de a Legião existir já em 38 dioceses.”

Não se passava um dia, sem que recebesse notícias desastrosas de qualquer lado. Frank as chamava de “tempestades diabólicas”, por estranho que pareça, tais acontecimentos seguiam sempre o mesmo modelo. Um ataque parecia varrer a Legião de um determinado país, com grande desânimo dos Legionários, e de repente tudo continuava como se nada tivesse acontecido. Muitas vezes, seguia-se um novo crescimento. No entanto, estas “tempestades diabólicas” não deixavam Frank insensível. Compartilhava demasiado as dificuldades dos seus filhos espirituais, para ficar indiferente. Frank escreve a uma Enviada com problemas de saúde: É de acordo com a sua determinação, comprovada apenas pela quantidade de sofrimento que você agüenta, que a graça lhe será dada no domínio das conquistas. No dia em que você for capaz de carregar aos ombros as angústias de trinta pessoas, nesse dia terá ganho as trinta pessoas.”

Noutra carta dizia:: “ O abatimento desequilibra irremediavelmente o juízo. Nenhum julgamento que você forme nesse momento possui o mínimo valor. A depressão provoca o esgotamento dos recursos físicos. O efeito é como se realmente tais recursos tivessem desaparecido. Somos incapazes de fazer o que quer que seja. Conheço tudo isso por experiência pessoal: passei por todos seus matizes e variações.”

Cruzes de fora, cruzes de dentro, grandes cruzes, cruzes pequenas – em todas as circunstâncias Frank manteve-se sempre firme como um rochedo. Poucas pessoas terão suspeitado quanto isto lhe custava.


Fonte: UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – Hilde Firtel
CONHECENDO FRANK DUFF –


FRANK DUFF EM FÉRIAS 

A Irlanda, pátria do fundador da Legião de Maria e dos primeiros Legionários, é uma grande ilha dotada de grandes planícies, favorecendo assim o uso de bicicletas como meio de transporte. Frank Duff era um hábil ciclista mesmo quando em idade avançada.

Na época em que estava enfrentando grandes dificuldades para obter o “imprimatur” para a nova edição do Manual Legionário, enquanto por outro lado sentia-se literalmente esmagado pela pressão vinda de diferentes partes do mundo, com o pedido urgente de exemplares do novo Manual, sentiu que precisava urgentemente de afastar-se para refazer suas energias. Convidou alguns amigos dos que com ele trabalhavam, para o acompanharem,. Saltaram para suas bicicletas e partiram. A respeito dessa excursão, Frank relatou a um amigo: Levamos quatro dias para percorrer 370 Km. A ti parecer-te-á pouco, mas de fato foi um passeio bastante longo, grande parte dele a subir a montanha. Tivemos um dia deplorável, em que ficamos ensopados até aos ossos. Os outros dias foram maravilhosos. Vimos algumas paisagens de um extremo encanto. Regressei diferente em todos os aspectos. Por isso, tenho enfrentado com êxito completo um expediente bastante violento.”

A partir de então, Frank permitia-se uns dias de férias uma ou duas vezes no ano e o efeito era sempre o mesmo: regressava com novas forças e descontraído para a tarefa diária . Nutria cada vez mais entusiasmo pela beleza da sua terra natal, que é mais fácil apreciar viajando de bicicleta do que de automóvel. Para não arquivar esta beleza só na memória, começou a tirar fotografias. Iniciou assim um passatempo. Esmerava-se para fotografar corretamente, conseguindo assim fotografias de extraordinário valor artístico, que gostava de mostrar aos visitantes.

As proezas diárias dos ciclistas eram muitas vezes assombrosas. Com 60 anos, Frank era capaz de andar de bicicleta por dia uns 95Km. O número de excursionistas aumentava a cada ano. Juntou-se ao grupo um jovem sacerdote passionista, chamado Herman Nolan, que tornou-se seu capelão.Obteve licença para celebrar a missa em qualquer sala conveniente, se não houvesse igreja próxima, solucionando desse modo a participação dos membros do grupo na Eucaristia. Com isso, tinham a companhia do Senhor em seus passeios de férias.


Fonte: UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA- HILDE FIRTEL

 CONHECENDO FRANK DUFF 

FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA ACOLHIDOS NO VATICANO 

No outono de 1952, Frank Duff recebeu uma carta do Secretário de Estado do Vaticano, transmitindo-lhe um convite do Papa Pio XII para visitar Roma. Foi uma grande e feliz surpresa, pois a Legião ainda encontrava resistência de parte de alguns sacerdotes. Frank fez-se acompanhar pelo Vice-Presidente do Concilium Legionis, John Murray, que por doze anos fora Enviado da Legião nos Estados Unidos. Ficaram hospedados na Embaixada da Irlanda junto à Santa Sé. O Embaixador, Joe Walshe, era um velho amigo de Frank.

Passaram dezessete dias em Roma, inteiramente ocupados com reuniões e conferências. O ponto alto dessa estadia foi a audiência particular concedida por Pio XII. Na oportunidade o Papa declarou: “Estou muito grato à Legião de Maria, pelos grandes serviços prestados à Igreja.” Pio XII enviou a sua bênção especial a todos os legionários do mundo.

Durante sua permanência em Roma, Frank teve de fazer treze conferências, a maior parte em colégios e seminários. No Colégio da Propaganda da Fé, falou a quatrocentos estudantes pertencentes a quarenta nações e aos cinco continentes. A seguir foi convidado a falar na Rádio Vaticano sobre a história da Legião e sua espiritualidade. Sua palestra foi transmitida em vinte e cinco línguas diferentes. O jornal do Vaticano, “Osservatore Romano” publicou um relato da visita dos dois Legionários. Visitaram os superiores de diversas Congregações Missionárias e ficou evidente que a Legião era considerada um meio eminente de evangelização nos países do Terceiro Mundo.

O Procurador-Geral dos Padres do Espírito Santo, D. Murphy, escreveu a um amigo irlandês a respeito da visita à Roma de Frank Duff: “ Nenhum potentado, nenhum chefe de Estado, foi jamais aqui recebido com mais genuína afeição por parte de todas entidades oficiais da Igreja em Roma... Estas audiências não eram simples entrevistas formais. Eram expressões autênticas da afeição e da gratidão para com a Legião, pelo trabalho que ela realizou e está realizando em todo o mundo.”

Antes de deixar Roma, Frank recebeu um telegrama de Monsenhor Montini, subsecretário de Estado – mais tarde Paulo VI: “No momento da sua partida de Roma, o Santo Padre renova a expressão do seu amor paterno e do seu cordial interesse pelo trabalho da Legião de Maria; invoca a continuação da assistência divina sobre as louváveis atividades da organização e concede amorosamente a si, aos oficiais e legionários de todo o mundo uma especial bênção apostólica.”. Foi um enorme conforto para Frank Duff e muito o ajudou nas dificuldades que viria a enfrentar.


Fonte: UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL- FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – HILDE FIRTEL
CONHECENDO FRANK DUFF 

 ESPINHOS NA CAMINHADA

 O Manual que de início era uma brochura delgada, com o passar dos anos fora acrescido de inúmeras páginas, acompanhando o crescimento da Legião e as experiências resultantes de sua expansão pelos continentes. Fez-se necessária uma nova edição, com a inclusão dos novos trabalhos da Legião e novos aspectos de sua espiritualidade. Excetuando-se as citações da Escritura Sagrada e de algumas obras de teologia, tudo o mais foi de autoria de Frank Duff. Para a composição da nova edição do Manual, seriam necessárias muitas horas de trabalho do autor. Frank, por experiência, sabia que em Dublim não disporia do tempo necessário para dedicar-se a qualquer trabalho intenso e contínuo que exigisse total concentração. Os visitantes de numerosos países sucediam-se num tal ritmo que não lhe deixavam qualquer tempo livre: diariamente, das dezenove às vinte e três horas dedicava-se a conceder entrevistas aos visitantes, mas não era suficiente porque insistiam em ser recebidos durante o dia. Por outro lado o volume de correspondência de que pessoalmente se ocupava,  crescia cada vez mais. Para poder escrever o Manual, a única solução possível foi ausentar-se de Dublin. Refugiou-se na casa de sua irmã Sara Geraldina, a única que lhe restara e residente na cidade de Navan. Aí conseguia trabalhar sem ser perturbado. Entretanto não podia afastar-se da capital durante muito tampo, tal o volume de trabalho que ali o aguardava. Assim ficava uma semana em Navan trabalhando no Manual e voltava a Dublin para seus outros compromissos na presidência da Legião. Após quatro idas de uma semana a Navan, conseguiu concluir o Manual para a nova edição.

A parte que dependia de Frank estava concluída, começou então a batalha mais difícil e demorada: conseguir o Imprimatur para nova edição do Manual. Após anos de espera, chegou a autorização acompanhada da ordem de alterar algumas frases do Manual. Frank atendeu as ordens do censor, entretanto após novo período de espera, vinha a intimação de novas alterações. E isso repetiu-se algumas vezes, sempre depois de longa espera.

Como a Legião havia já entrado em numerosos países, essa demora teve conseqüências mundiais. Na Alemanha a nova edição do Manual estava impressa, mas não podia ser distribuída enquanto não chegassem as alterações autorizadas e fossem devidamente traduzidas. Os legionários aguardavam o aparecimento do novo livro, mas este não chegava. O Manual francês enfrentou situação semelhante. Sem o Manual, a expansão da Legião tornava-se extremamente difícil.

Depois de longa e sofrida espera o Imprimatur definitivo chegou finalmente e o livro pode ser publicado.

O Manual foi traduzido em mais de sessenta línguas e o número de exemplares distribuídos atingiram muitos milhões. Todavia, a publicação de uma edição nunca se fez sem dificuldade. Aconteceram sempre os mais incríveis empecilhos. Frank Duff via nisso a interferência do demônio para obstaculizar o trabalho da Legião de Maria na conquista de almas para Deus.


Fonte: UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – HILDE FIRTEL
CONHECENDO FRANK DUFF 


        VENERÁVEL EDEL QUINN –  ENVIADA DA LEGIÃO À ÁFRICA

Numa entrevista para a televisão, Frank Duff respondendo a uma pergunta do entrevistador declara: “ A Legião ensina o legionário e dá-lhe capacidade de compreender as grandes verdades da Fé católica, tais como a doutrina do Corpo Místico..., a maternidade de Maria e o extraordinário ascendente de Nossa senhora sobre o Espírito Santo. Estas coisas são santas e santificantes. Fazem santos a granel.”

Deve-se lembrar, que o simples fato de pertencer à Legião de Maria, não significa garantia de santidade, pois os legionários, em geral, podem ser considerados como católicos normais. Mas na Legião desde seus primeiros anos, destacaram-se alguns exemplos de dedicação heróica a Deus e ao próximo, através da Legião. O fundador Frank Duff, foi um desses exemplos, quer pela espiritualidade profunda, quer pela dedicação total ao apostolado legionário. Os Enviados, escolhidos por Frank Duff e o Conselho Legionis para levarem a Legião de Maria aos distantes países, constituem-se também em testemunhos de fé e apostolado. Particularmente amados por Frank Duff que os ajudou a formar e desenvolver, têm hoje suas fotos, devidamente emolduradas, suspensas e expostas na sede do Concilium Legionis, formando a “Galeria dos Enviados, “como Frank Duff carinhosamente chamava.

Nessa galeria de Legionários heróicos destaca-se como estrela de primeira grandeza, EDEL QUINN.

Um dia, Frank ouviu falar duma jovem que há pouco ingressara na Legião e revelava-se promissora. Convidou-a a passar uma tarde com ele para conversar. A partir daquele encontro, Frank sabia que tratava-se de uma personalidade singular.

Edel ingressara na Legião através de uma amiga que recusara um seu convite para tomar chá em sua casa, porque devia participar de uma reunião da Legião de Maria. Edel intrigada pela recusa da amiga, pediu para ir com ela a tal reunião. Tornou-se então membro ativo. A amiga que a levara a reunião, entretanto não a julgava talhada para a Legião, chegando mesmo a aconselhá-la em desistir. - Uma jovem tão bonita e alegre,  que gosto poderia encontrar no trabalho legionário, que muitas vezes exigia sacrifícios.-

Frank, porém era um bom juiz da natureza humana. Quando um dos Praesidia empenhados na recuperação de raparigas de rua, precisou de uma nova presidente, Frank indicou Edel para o cargo. Tinha então apenas vinte anos. Os demais membros do Praesidium protestaram energicamente, precisavam duma pessoa madura e experiente e lhe mandavam uma criança. Frank respondeu-lhes: “Esperem e verão!”. Muito em breve os membros descobriram a boa sorte que tiveram com a nova presidente.

Edel acalentava um grande desejo, tornar-se irmã Clarissa ( congregação de clausura, fundada por Santa Clara de Assis), mas foi impedida por ter adquirido tuberculose. Precisou recolher-se por um ano num sanatório para tratamento. Tendo melhorado, regressou para seu trabalho como secretária numa firma de exportação e para suas atividades legionárias.

Por essa época numerosos legionários irlandeses iam à Inglaterra durante as férias, lá viajando de bicicleta, de paróquia em paróquia, para entusiasmar sacerdotes e leigos  a favor da Legião. Em suas férias Edel também tomou parte no trabalho de expansão da Legião na Inglaterra. Contrariando os temores dos amigos, sua saúde agüentou muito bem. Pensou então em mudar-se para a Inglaterra para lá consolidar a Legião. Aconteceu entretanto que um bispo irlandês residente na África e que conhecera a Legião durante umas férias na Irlanda, escreveu ao “Concilium Legionis” pedindo um representante da Legião para trabalhar na África Oriental. Frank Duff sentiu que a pessoa ideal para essa missão era Edel e fez-lhe o convite. Esta ficou extremamente feliz com tal oferecimento, aceitando-o imediatamente.

A idéia de mandar para a África em missão esta jovem de saúde tão frágil, suscitou uma tempestade de indignação. Edel, porém, sabia que a sua vida seria breve e pareceu-lhe desejável consagrar os anos que lhe restavam ao serviço de Deus. Frank compreendeu-a e apoiou-a.

Tivesse Frank dado ouvidos às vozes que se levantaram de todos os lados e mantido Edel na Irlanda, esta não teria passado de uma das centenas de legionárias que semana após semana, cumprem a sua tarefa até que o Senhor ponha fim às suas atividades. Apoiando-a no seu desejo de seguir para a África, Frank abriu novas perspectivas à evangelização em todo o continente africano e abriu a Edel o caminho para uma santidade heróica. Durante os oito anos de seu trabalho  na  África fez maravilhas: Conseguiu estabelecer a Legião em todo território do Vicariato de Zanzibar; depois animada de incansável zelo, apesar da saúde sempre delicada, percorreu imensos territórios de Kênia, Tanganika, Uganda, Niassaland e Ilha Mauritius. Era obrigada, algumas vezes a períodos de hospitalização, mas mesmo assim prosseguia em seu apostolado, através da oração e da correspondência. Tão logo recebia alta hospitalar retomava sua missão enfrentando longas e desconfortáveis viagens. Todos que a conheceram de perto observaram que, sob a intensa atividade exterior, escondia-se uma profunda vida de união com Deus. A Missa desde a juventude até o final, foi o centro de sua vida. Conservou-se sempre alegre até o fim. Um sacerdote que a visitou poucos dias antes da morte, encontrou-a de “extraordinário e contagiante bom humor.” Quando sobreveio o fim de sua vida, no dia 12 de maio de 1944, aos 36 anos de idade, já se tornara uma figura lendária. Nunca pudera rever a sua Pátria e a sua família. Foi sepultada em Nairobi, onde estabelecera sua primeira Cúria anos atrás, num cemitério reservado aos missionários. Doze anos após sua morte iniciou-se o processo de sua beatificação, tendo já alcançado a condição de Venerável.

Do barco que a levou à África, Edel escreveu uma carta a Frank em que revela quanto se sentia compreendida por ele: “ É bom sentir que confia em mim, isso ajudar-me-á nos dias que se aproximam...Estou contente por me ter deixado partir; mais tarde outros também ficarão contentes.”

Frank Duff soube reconhecer o tesouro precioso que era a alma daquela jovem, referindo-se a ela, afirmou: “ Foi o produto completo da Legião de Maria, a sua quinta essência, por assim dizer.”


Fonte: UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – Hilde Firtel

CONHECENDO FRAK DUFF

A LEGIÃO DE MARIA NA AMÉRICA
 
Em 1933, um escritor irlandês publica um artigo sobre a “Estrela da Manhã” ( Casa que abrigava homens moradores de rua – Vejam Jornal Vexillum de setembro 2004 )

 e os seus pensionistas, numa revista americana. Algum tempo depois, Frank Duff recebe uma carta de um Sr. Oliver, homem de negócios em São Francisco, na Califórnia. Dizia ele que por anos alimentara a idéia de organizar uma moradia para vagabundos naquela cidade, o que se tornava cada vez mais urgente. Pedia para Frank enviar aos Estados Unidos uma pessoa experiente para ajudar a fundar tal instituição, enquanto ele assumiria todas as despesas. Frank responde que a criação e manutenção de tais albergues não era o principal fim da Legião e expôs-lhe a natureza da Legião de Maria e sua finalidade. O Sr. Oliver fica ainda mais interessado e renova o pedido de um legionário experiente; ver-se-ia assim se a Legião de Maria se adaptaria à América.

Uma jovem legionária, que já demonstrara suas qualidades, concorda em deixar o emprego por três meses, sem qualquer remuneração, e seguir para a América. De início, o objetivo era explorar as possibilidades da ação da Legião, na América. Os resultados excederam as expectativas. São fundados vários “Praesidia” e prepara-se o terreno para outros. Entusiasmado, o Sr. Oliver oferece-se para financiar o trabalho de um legionário durante três anos. É enviado um legionário para a América do Norte. As necessidades ali são tão grandes que um só legionário não basta. O Sr. Oliver convida mais dois representantes. O primeiro enviado regressa à Irlanda, após três anos de atividade e os dois que haviam seguido depois, lá continuam por doze anos de trabalho. A longa permanência deveu-se, em parte, pelo surgimento da 2ª Guerra Mundial, que tornava difícil as viagens no Atlântico, e por outro à enorme vastidão do campo de apostolado a ser enfrentado. Constantemente chegavam pedidos para formação de novos “praesidia”.

Os legionários abrem caminho também para o Canadá, onde o apostolado legionário chega às mais remotas Missões dos Índios, cujos membros mandam saudações ao “grande chefe branco”, que vive lá longe na Irlanda. É um novo título para Frank...

Os representantes da Legião de Maria em países estrangeiros passam a chamar-se “Enviados da Legião”. Frank amou seus Enviados com um amor verdadeiramente paternal. A correspondência que com eles assumiu era um fardo as mais, mas por ele muito apreciado. Aconselhava-os nas dúvidas e consolava-os nas dificuldades. Foram milhares as cartas que Frank enviou aos Enviados ao longo dos anos, elas encerram jóias de sabedoria e de experiência.

Apesar de Frank Duff ver todas as coisas a uma luz sobrenatural, manteve sempre os pés na terra. Homem de otimismo contagioso, não nutria ilusões acerca da fraqueza humana. Uma de suas frases favoritas era a seguinte: “Nada é tão bom ou tão mau como julgamos que é”. Se os enviados mostravam-se muito entusiasmados com os resultados alcançados, punha-os de sobreaviso contra as desilusões; mas se perdiam o ânimo, sabia sempre estimulá-los, aproveitando o tesouro da sua própria experiência. Para uma enviada extremamente dedicada e preocupada, escreveu:“ Permita que a aconselhe mais uma vez a defender o sono. Não considere o tempo que passa na cama como tempo roubado à sua missão. É justamente o contrário. Neste momento, Você está empenhada numa batalha, cujo resultado não depende da sua piedade nem da sua capacidade de organização, nem da convicção a cerca da Legião. O resultado de toda esta luta depende de nervos sólidos. Se perder o controle de si mesma... , perderá a batalha... por isso, pelo amor de Deus, trate do seu sistema nervoso com mais cuidado e maior empenho do que o violinista pelo seu Stradivarius.”

Fonte: UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – Hilde Firtel

CONHECENDO FRANK DUFF – XVII 

        AFONSO LAMBE – BRILHANTE ASTRO NA GALERIA DOS ENVIADOS.

 Nos primeiros anos da década de 1950, um legionário muito jovem despertara a atenção. Viera da província para Dublim. Chamava-se Afonso Lambe, mas todos o conheciam simplesmente por Alfie. A saúde frágil obrigara-o a deixar a Congregação dos Irmãos Cristãos Irlandeses, na Legião de Maria encontrou um sucedâneo para sua vida religiosa. Dedicou-se ao trabalho de extensão da Legião nas zonas rurais da Irlanda, revelando grande poder para conquistar adeptos e capacidade de organização. Essas qualidades chamaram a atenção de Frank Duff que nele pressentiu as virtudes exigidas a um Enviado da Legião. Por isso decidiu enviá-lo com um colega mais velho para a América do Sul.

O que este jovem conseguiu ali, em cinco anos e meio é lendário. Viajando pelo enorme continente, de trem, de automóvel, de avião, a cavalo e até mesmo a pé. Trabalhou na Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. As dificuldades por ele encontradas em muitos lugares, não o desanimaram, com fé e dedicação foi vencendo os obstáculos. Foi na Argentina que encerrou sua magnífica caminhada .

Quando Afonso Lambe chegou a Buenos Aires, vindo do Brasil, em setembro de 1955, lá encontrou um “praesidium” com sete membros, que havia sido fundado, há cinco anos, por Joaquina Lucas, outra enviada vinda das Filipinas; outro que fora fundado há um ano e um terceiro com seis meses de existência. Em agosto de 1958, Afonso obteve permissão para fundar uma Cúria. Ele havia se empenhado em trabalhar na Grande Buenos Aires e foi fundando “praesidia” até formar um grande círculo em volta de toda a Capital da Argentina.

Aliava a sua dedicação e seriedade ao trabalho legionário, uma grande simpatia. Com freqüência costumava dizer: “Eu creio que não será muito difícil ser santo, creio que se nos empenharmos a sério poderemos ser santos.”

Outra frase sua: “Devemos assistir à Missa diariamente e comungar se possível. Se não houver uma união íntima com a Rainha da Legião nosso trabalho não dará fruto. Devemos procurar meditar pelo menos quinze minutos todos os dias, o tempo dedicado à meditação não é tempo perdido. Eu não entendo como o legionário pode corrigir seus defeitos se não medita diariamente.

Quanto ao trabalho legionário: Quando trabalhamos para a Legião estamos trabalhando para Cristo.”

Todos que conheceram Afonso lambe o consideravam inteligente, prudente e devoto. Não sabia o que era o medo, apesar de ser muito jovem era muito reservado e capaz  de fazer qualquer sacrifício pela Legião de Maria.

O Arcebispo Tavella de Salta, seu grande amigo, disse uma vez a sua sobrinha: “ Temos um convidado para jantar esta noite, uma pessoa, que segundo a minha opinião, é um santo.”

O grande espírito apostólico de Afonso Lambe o impulsionava a caminhos mais difíceis e desafiadores. Estudou russo e sonhava ir para a Rússia como enviado da Legião. Foi ele que fundou, pela primeira vez, um Praesidium entre os numerosos cristãos ortodoxos vindos da Rússia para Buenos Aires, como refugiados.

Frank Duff seguiu com admiração e entusiasmo as atividades deste jovem enviado. Sofreu um rude golpe quando Alfie morreu  de câncer em janeiro de 1959, aos 26 anos de idade. Em 21 de janeiro de 1959, o “Concillium Legionis” recebeu um telegrama enviado da Argentina, dizendo: Afonso se reuniu com Edel hoje.”

 O seu túmulo tornou-se centro de numerosas peregrinações. Como Edel Quinn, ele também foi chamado por Deus longe de sua querida Irlanda e de sua família. Está em andamento seu processo de beatificação, sendo considerado “Servo de Deus”. A santidade de sua vida faz dele brilhante astro na Galeria dos Enviados e um modelo a ser seguido pelos Legionários, principalmente os jovens.


Fontes: UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – Hilde Firtel


ALFONSO LAMBE – UM ENVIADO – Etta Mooney –
www.legiondemaria.org
CONHECENDO FRANK DUFF

 ANOS 60: Vigoroso crescimento da Legião de Maria – Declínio da saúde do Fundador
“Peregrinatio pro Christo”Fonte: UM PIONEIRO DO APOSTOLADO LAICAL – FRANK DUFF E A LEGIÃO DE MARIA – Hilde Firtel

Aos 75 anos e estando adoentado há bastante tempo, foi convidado a fazer uma conferência aos estudante de Sociologia do Colégio Universitário de Dublin. Ao entrar no Colégio encontrou-se com a filha de um seu amigo, a qual ficou assustada com sua aparência e aconselhou-o a adiar a conferência, com o que ele não concordou. Em meio a conferência foi acometido de um desmaio, o que fez que o levassem para casa e avisassem sua irmã e o cunhado em Navan. Estes levaram-no para sua casa e dele cuidaram devidamente. Frank nunca soube exatamente o que lhe acontecera; estava preparado para morrer e não se preocupou com isso o mínimo que fosse. Contou depois a um amigo:” Sentia-me tão feliz ao pensar em encontrar-me de novo com a minha família, que fiquei decepcionado quando isto não se concretizou.” O diagnóstico foi de um acidente circulatório cerebral que felizmente não deixou seqüelas. Depois de um período de convalescença com seus parentes em Navan, sentiu-se suficientemente forte para regressar a Dublin e voltar gradativamente às suas atividades.

A vigorosa saúde e assombrosa energia física que caracterizava o fundador da Legião e que o acompanhara ao longo dos anos, agora, nos anos sessenta, começara a dar sinais de declínio. Os resfriados repetiam-se com freqüência e cada vez mais se demoravam. Sua surdez aumentava ano após ano. Experimentou vários tipos de aparelhos para surdez existentes na época. Submeteu-se a duas cirurgias na tentativa de recuperar a capacidade de ouvir, mas com escasso resultado. Por outro lado, sua carga de trabalho era imensa, principalmente a volumosa correspondência, vinda dos mais diversos países onde a Legião de Maria se fazia presente e para qual Frank dedicava rigorosa e amorosa atenção. O único descanso a que se permitia, eram as excursões anuais em bicicleta, das quais voltava mais revigorado.

A SAÚDE DE FRANK COMEÇA A DECLINAR –

Frank deu grande apoio a essas atividades; instruiu os participantes com numerosas conferências e artigos, orientando-os nos métodos de aproximação das pessoas. Salientava que muitas daquelas pessoas que os legionários abordavam nas ruas ou nas praças, teriam talvez esta única oportunidade, em toda sua vida, de serem contatadas em nome da Fé. Por isso o legionário deveria evitar assuntos fúteis e falar dos tesouros da fé católica, especialmente a Sagrada Eucaristia e Maria, Mãe de Deus e Mãe dos homens. Recomendava ainda, que aos católicos o legionário deveria estimular a que fosse mais zeloso e fiel à igreja e aos não católicos, convidasse a entrar na Igreja Católica.

Por outro lado, alguns legionários, especialmente jovens, decidiram dedicar seis meses ou um ano à legião, num país estrangeiro, no qual conseguiam um emprego e ocupavam todo tempo livre em atividades apostólicas.Jornadas Dominicais. Com o correr do tempo este movimento missionário tomou duas direções: Aqueles que, por razões diversas, não podem se dedicar ao “Peregrinatio” durante as férias, mas não querem privar-se da experiência, podem dedicar-se um dia inteiro à evangelização num lugar próximo, geralmente na companhia do próprio Praesidium, são as chamadas

( Peregrinação por Cristo), inspirada nas viagens missionárias medievais dos monges irlandeses. Na “Pereginatio pro Christo”, os legionários dedicam uma ou duas semanas de suas férias ao apostolado. Partem em grupos para lugares distantes, inclusive para países estrangeiros, onde visitam famílias casa por casa ou falam da fé católica a pessoas em ruas e praças. A idéia espalhou-se e hoje são milhares de legionários que no mundo inteiro partem anualmente para estas viagens missionárias. Há legionários que passam as férias neste apostolado todos os anos.Nesse tempo também, desenvolveu-se com extraordinária rapidez a

o qual consiste em assembléias de debates, orientadas pela Legião. Destina-se a ensinar os católicos a desembaraçar-se de sua habitual timidez, quando convidados a discutir assuntos de caráter religioso.Movimento dos Patrícios, Por essa época apareceu o

No fim da década de 50 a Legião de Maria alcançara significativos progressos nos países de Missão e também na Europa estava havendo um crescimento rápido. Na República Federal da Alemanha, o número de Praesidia aumentou uma centena num só ano.

 
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